Paris Jackson fala sobre novo álbum na ALT AZ
Paris Jackson visita os estúdios da ALT AZ para bater um papo com a Mo! sobre seu novo álbum, "Happiest Day of My Life". Descubra como foi trabalhar com a icônica Linda Perry, a inspiração para a capa do álbum, como a faixa-título é uma homenagem ao Smashing Pumpkins e o que tem lhe trazido alegria ultimamente.
▶️ Paris faz uma versão acústica de 'stitched (on & on)'. nos estúdios da rádio ALT AZ.
▶️ Assista o vídeo no YouTube ou leia a transcrição da entrevista abaixo.
Turnê, shows e o ritmo de tocar ao vivo
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E: Oi, gente! Muito obrigada por estarem aqui comigo hoje. Estou no estúdio com ninguém menos que Paris Jackson. Como você está?
P: Bem. E você?
E: Estou ótima. Como foi o show de ontem à noite?
P: O show de ontem foi incrível. Foi um dos melhores públicos nessa sequência de shows até agora.
E: E, além de estar fazendo esses shows abrindo para o The Pretty Reckless, você também está fazendo, ao mesmo tempo, a sua própria turnê como atração principal.
P: Sim, senhora.
E: Como é fazer as duas coisas ao mesmo tempo? Acho que não vejo isso acontecer com muita frequência.
P: É divertido. É legal. É interessante porque o TPR está fazendo exatamente a mesma coisa. Eles estão abrindo para o AC/DC agora.
E: Sim.
P: E, como as datas desses shows são bem espaçadas, eles também estão fazendo a própria turnê como atração principal ao mesmo tempo. Então eu abro para eles nessa turnê. E pensei: “Bom, agora os nossos shows também estão muito espaçados. Por que não colocar nossos próprios shows no meio?”. Porque, se você toca e depois fica cinco dias sem fazer nada...
E: Uhum. O que dá para fazer nesse intervalo?
P: É um pouco por isso, mas também porque você não consegue realmente entrar num fluxo. Percebi que, quando fazemos três shows seguidos, é quando a banda soa melhor.
E: Claro, porque vocês entram no ritmo, entram naquele fluxo.
P: Existe um embalo. E isso não acontece quando você fica cinco dias sem tocar entre um show e outro.
“Happiest Day of My Life” e a capa do álbum
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E: Uma coisa que estou muito animada para falar é que você tem um álbum novo chegando em 21 de agosto, Happiest Day of My Life. Quando começaram a nascer as ideias para as músicas desse álbum?
P: A ideia do álbum e boa parte dele realmente começaram a tomar forma alguns anos atrás. Trabalhei na maioria das músicas com Linda Perry. Mas tem, por exemplo, uma música chamada Sirens que fiz em 2021 com Butch Walker. Ela combinou tanto com a atmosfera do álbum que pensamos: “Vamos colocar no disco”. E também tem algumas músicas que escrevi este ano e que entraram. Então foi um trabalho de vários anos. Fomos montando tudo aos poucos.
E: Eu adorei a capa. Vi que você divulgou há algumas semanas, acho. Quem fez a foto e qual foi a inspiração?
P: Minha melhor amiga tirou a foto. Somos melhores amigas há dez anos. Ela é uma fotógrafa fenomenal e se chama Bailey Barton. Ela fez várias das minhas fotos de divulgação e foi quem me apresentou à fotografia analógica. Foi ela quem me deu minha primeira câmera de filme. Agora sempre viajo com algumas câmeras, mas foi ela quem me ensinou praticamente tudo sobre fotografia analógica.
P: E, curiosamente, em relação à forma como a foto foi feita — mais do que ao conceito em si — você já viu a capa de I Get Wet, do Andrew W.K.?
E: Sim.
P: Ela fica gravada na sua cabeça, não fica?
E: Sim.
P: Você consegue visualizar imediatamente. Era isso que eu queria. Fundo preto, uma iluminação frontal bem forte, alguma coisa impactante. Então aquela capa foi uma inspiração.
E: É legal porque também me passa a sensação de ser simplesmente você, de forma crua. Se é que faz sentido.
P: Sim.
E: Adorei. E imagino que isso também seja um tema presente no álbum.
P: Sim, em grande parte. Algumas músicas têm bastante produção e outras são muito cruas. Mas, em relação à composição, tenho me permitido ser mais aberta e mais específica.
P: Porque em Wilted, apesar de ser um álbum conceitual e falar sobre uma coisa muito específica — quando você escuta as faixas em ordem, existe uma história — eu sempre tive essa tendência de escrever de forma mais vaga porque queria que mais pessoas pudessem se identificar.
P: Eu poderia estar falando de uma coisa relacionada a drogas, mas você poderia interpretar aquilo como uma desilusão amorosa ou depressão. Agora estou sendo mais específica em muitas das minhas músicas.
E: Como você chegou ao título do álbum? Algum outro chegou a ser considerado?
P: Não. Nenhum outro. Linda e eu escrevemos Happiest Day of My Life juntas e eu pensei: “Essa tem que ser a faixa-título”, porque é uma das melhores músicas do disco. É grudenta, divertida e tem cara de música de verão. É daquelas para colocar no carro e sair dirigindo.
E: Sim.
P: Então pensei no conceito da capa depois que escolhemos o nome. Existe uma certa ironia ali, uma brincadeira.
Linda Perry, Butch Walker e o processo de produção
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E: Quero falar sobre essa música, mas primeiro preciso falar dos nomes de peso com quem você trabalhou. Obviamente Linda Perry, Butch Walker e também Jason. E você já tinha trabalhado com Linda em Hit Your Knees, certo? Como vocês se conheceram originalmente?
P: Ela tem uma organização sem fins lucrativos chamada Equalize Her, que tenta abrir mais espaço para mulheres dentro da indústria musical. E não apenas como artistas pop, mas também em áreas como iluminação, som e outras funções. A ideia é criar mais oportunidades para mulheres dentro de um ambiente que ainda é muito dominado por homens.
P: Eles fizeram um evento no Troubadour e me convidaram para tocar. Nós nos conhecemos durante a passagem de som e ela simplesmente perguntou: “Quando você quer fazer música?”.
E: [risos]
P: Ela me recrutou bem rápido.
E: Que legal. Você se sentiu honrada quando ela disse que queria trabalhar com você?
P: Com certeza.
E: E ainda são duas arianas na mesma sala. Imagino as ideias voando para todos os lados.
P: É muito fogo. [risos]
E: E quando Butch e Jason entraram nessa história? Você comentou que Butch já tinha ajudado em Sirens anos atrás, mas como Jason entrou no processo enquanto você estava trabalhando com Linda?
P: Butch e eu somos amigos há quase dez anos. Ele me chamou para cantar numa música que fez para a trilha sonora de The Peanut Butter Falcon, e aquela foi nossa primeira experiência juntos em estúdio.
P: Depois, em 2021, eu queria fazer mais coisas com ele e pedi que produzisse algumas músicas que eu tinha escrito. Ele produziu Lighthouse e Just You, por exemplo. Eram singles avulsos que fui lançando.
P: Também fizemos outras músicas, e Sirens era uma delas. Ela ficou guardada no meu Dropbox e nunca lancei porque o momento nunca parecia certo. Então ficou parada por um tempo.
P: Depois trouxe Jason para regravar algumas coisas e também comecei a assumir mais o papel de produtora. Eu e Jason trabalhamos muito bem juntos porque, na maior parte do tempo, é realmente uma parceria meio 50/50. Ele me dá bastante espaço para assumir esse lado da produção, o que é muito empolgante para mim.
P: E muito do que aprendi sobre produção veio de observar Andy Hull e Robert McDowell no estúdio durante o meu primeiro álbum. Eu ficava na sala o tempo inteiro, estudando o que eles estavam fazendo. Boa parte do que sei hoje aprendi observando os dois.
P: Então eu e Jason fizemos umas quatro músicas juntos. Enquanto estávamos selecionando os melhores takes de voz para a terceira música, fui para outra sala e escrevi Stitched. Voltei e falei: “Acho que tenho uma coisa aqui”.
P: Inicialmente, nem achávamos que ela entraria no álbum. Pensávamos em fazer algo mais folk, porque esse costuma ser o meu ponto de partida. Mas aí foi ficando shoegaze, depois cada vez mais grunge, até que pensamos: “Ok, vamos colocar no disco. Ainda dá tempo de entrar no prazo”. E aí virou também uma coisa de: “Foda-se, vamos colocar aquela outra música também”. [risos]
Smashing Pumpkins, “Stitched” e o novo videoclipe
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E: Stitched é, de longe, a minha favorita entre as que você lançou desse projeto novo. Tenho ouvido direto. Mas também consegui ouvir uma prévia de Happiest Day of My Life, que está fantástica. Estou ouvindo ali uma pequena referência ao Smashing Pumpkins?
P: Cem por cento. Cem por cento! Obrigada por perceber.
P: Meu amigo Marshall Gallagher, que é o vocalista do Teenage Wrist — eles são uma banda de Los Angeles — tem basicamente uma pedaleira montada no estilo da do Billy Corgan. E o Nino, baterista deles, é meu baterista há uns cinco anos e um dos meus melhores amigos.
P: Então falei para o Marshall: “Você pode vir aqui e simplesmente fazer o seu negócio?”. E ele respondeu: “Pode deixar”.
E: O quanto você ficou animada com isso?
P: Fiquei nas nuvens.
E: Isso é muito legal. Eu achei que estivesse ouvindo alguma coisa ali e pensei: “Será que estou viajando? Preciso perguntar”. Porque está lá, mas de um jeito muito sutil. É uma referência muito boa.
P: O clipe é fortemente inspirado no vídeo de 1979. É só isso que vou dizer. [risos]
P: Nunca fiquei tão animada com um videoclipe porque me diverti demais fazendo esse. Todos os meus amigos estão nele. Foi muito, muito divertido. Tem muito de Los Angeles e é basicamente a ideia de um dia perfeito em Los Angeles.
E: Quem dirigiu? Posso perguntar?
P: O mesmo cara que dirigiu o clipe de Zombies in Love, o Fidel. Aquele trabalho deu tão certo que foi uma escolha óbvia. Quando me perguntaram com quem eu queria trabalhar, mandei mensagem para ele imediatamente.
P: Falei: “A gente fez Zombies. Temos que fazer esse juntos”. E ele respondeu: “Com certeza”.
Grunge, influências e a Paris adolescente
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E: O que existe no grunge que conversa tanto com você?
P: Ele satisfaz uma coisa em mim que sempre esteve ali, principalmente desde a época em que eu era uma adolescente cheia de angústia.
P: Eu tive uma fase enorme de hair metal dos anos 80, mas aquilo tinha sido apresentado para mim por um garoto.
P: Já Smashing Pumpkins, Nirvana e Pixies foram coisas que descobri sozinha. Não foi um garoto que me apresentou. E isso virou uma parte enorme da minha identidade durante o ensino médio. Nunca foi embora de verdade.
P: Então este disco inteiro é meio que: “Vamos fazer um álbum para a Paris adolescente. Vamos fazer alguma coisa de que ela teria gostado”.
E: Ah, adorei isso. Existe algum outro gênero musical que você gostaria de explorar no futuro? Alguma coisa que desperte sua curiosidade? Dubstep, talvez?
P: Provavelmente não. [risos] Apesar de eu ter alguns amigos nesse meio e eles fazerem coisas muito legais.
P: Mas eu sempre vou ser uma artista folk. Sempre vou ter esse lado cantora e compositora. Então provavelmente vou voltar para isso em algum momento, mas de uma forma nova, e também quero experimentar vários sons diferentes.
P: É uma coisa que todos os meus artistas favoritos fizeram: “Vamos fazer algo completamente diferente em cada álbum”. Mas não sei se dubstep vai aparecer. E provavelmente jazz também não. [risos]
Kai, amigos e o que tem trazido alegria
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E: Eu sou muito grata por você ter tirado um tempo para vir conversar com a gente hoje. Sei que daqui a pouco você vai tocar uma música para nós. Mas tenho uma última pergunta. Tirando o lançamento do álbum, o que tem trazido alegria para a sua vida ultimamente?
P: Quer ver?
E: Quero. Ah, esse garotinho! Meu Deus, ele é a coisa mais fofa. Tive um momento com ele em que ele veio até as minhas pernas — o nome dele é Kai — e simplesmente se jogou de barriga para cima. E eu pensei: “Ok, vou fazer carinho em você inteiro”.
P: Sim.
E: Há quanto tempo você tem o Kai?
P: Uns dois anos.
E: Que legal.
P: Uns dois anos. Ele vai comigo para todo lugar.
E: Como você chegou ao nome Kai?
P: Vem de Malachi. Em hebraico, tem o sentido de “mensageiro de Deus” ou “meu pequeno anjo”.
E: Inteligente. Uau.
P: E também acho aquele vídeo do Kai, o mochileiro, na internet absurdamente engraçado. [risos] Muito engraçado. Amo aquele vídeo desde que eu tinha uns 17 anos.
E: Eu tinha esquecido completamente disso.
P: Pois é. Espera aí.
E: Vamos fazer isso? [risos]
P: Ele vai ficar igual ao Kai.
E: Podemos colocar uma bandana nele também. [risos] Meu Deus, você é precioso.
P: Então é isso: ele, escrever músicas, tocar essas músicas e passar tempo com meus amigos. É basicamente isso. É disso que a vida se trata para mim neste momento. Só ser feliz.
CD, vinil e a importância da mídia física
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E: Eu adoro isso. Fico muito feliz que existam tantas coisas boas acontecendo na sua vida agora. Estou animada para ver o que vem por aí e ainda mais animada para ver esse videoclipe de que você está falando. Além disso, agradeço muito por você ter vindo. Tem mais alguma coisa que gostaria que as pessoas soubessem?
P: O álbum também vai sair em CD e vinil. Então deem uma olhada.
E: Adorei. Tenho colecionado bastante vinil ultimamente, então, na minha opinião, quanto mais cópias físicas tivermos, melhor. Porque tudo está ficando digital e, nesse caso, você não necessariamente possui aquilo de verdade, o que é muito irritante.
P: E significa que pode mudar.
E: Sim. Acho extremamente importante hoje valorizar lojas de discos, livrarias e todos esses lugares. Dar a eles o máximo de apoio possível. Espero muito que não chegue um momento, durante nossas vidas, em que tudo isso desapareça e se torne obsoleto. Eu acharia extremamente triste.
E: Então precisamos manter esses lugares vivos. E você está ajudando ao lançar o álbum em vinil e CD, o que é melhor ainda. [risos] Paris, muito obrigada por vir. Eu agradeço muito.
P: Obrigada pelo convite.

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