Trechos de entrevistas de Michael Jackson falando sobre Prince, Paris e Bigi
Quando me tornei pai, toda a minha noção de Deus e do Sabbath foi redefinido. Quando olho nos olhos do meu filho, Prince, e da minha filha, Paris, eu vejo milagres e vejo beleza. Cada dia se torna o Sabbath. Ter filhos me permite entrar nesse mundo mágico e sagrado a cada momento, todos os dias. Eu vejo Deus através dos meus filhos. Eu falo com Deus através dos meus filhos. E me sinto profundamente grato por todas as bênçãos que Ele me deu.
Houve momentos na minha vida em que, como todo mundo, eu tive que me questionar sobre a existência de Deus. Mas quando o Prince sorri, quando a Paris dá risada, eu não tenho dúvidas. Crianças são um presente de Deus pra nós. Não, elas são mais do que isso, elas são a própria forma da energia, da criatividade e do amor de Deus. Ele pode ser encontrado na inocência delas, vivido na sua espontaneidade e alegria.
Meus dias mais preciosos quando eu era criança eram aqueles domingos em que eu podia ser livre. Isso sempre foi o Sabbath pra mim: um dia de liberdade. Agora eu encontro essa liberdade e essa magia todos os dias no meu papel de pai. O mais incrível é que todos nós temos a capacidade de fazer de cada dia um dia precioso como o Sabbath. E fazemos isso quando nos reconectamos com o encantamento da infância. Fazemos isso quando entregamos por inteiro o nosso coração e a nossa atenção aos pequenos que chamamos de filhos. O tempo que passamos com eles é esse dia sagrado. E o lugar onde isso acontece é o paraíso.
Mas agora eu mesmo sou pai, e um dia fiquei pensando nos meus filhos, Prince e Paris, e em como eu queria que eles pensassem em mim quando crescessem. Claro, eu gostaria que eles se lembrassem de como eu sempre quis tê-los comigo em todos os lugares que eu ia, de como eu sempre tentei colocá-los em primeiro lugar acima de tudo. Mas a vida deles também não é fácil. Como meus filhos são perseguidos por paparazzi, eles nem sempre conseguem ir a um parque ou ao cinema comigo.
Eu espero que eles sempre consigam enxergar o lado positivo, os sacrifícios que eu fiz de coração por eles, e não nas coisas que tiveram que abrir mão, ou nos erros que cometi, e que certamente ainda vou cometer, ao criá-los. Porque todos nós já fomos filhos de alguém, e sabemos que, apesar dos melhores planos e das melhores intenções, erros sempre acontecem. Isso é ser humano.
E quando penso nisso, em como eu espero que meus filhos não me julguem com dureza e me perdoem pelas minhas falhas, eu sou levado a pensar no meu próprio pai e, apesar de por muito tempo ter negado isso, sou obrigado a admitir que ele deve ter me amado. Ele me amou, e eu sei disso.
Eu sempre quis ter filhos e me sinto muito abençoado por Deus por ter esse tipo de amor na minha vida. E vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que meus filhos sejam pessoas que amem o mundo, e não crianças mimadas que cresceram tendo tudo de mão beijada. Quero que eles enxerguem o mundo com encantamento, sem medo. Que tenham sonhos, objetivos, e vivam a vida intensamente. E, a cada passo que eles dão, eu vejo isso neles.
Eu acordo por eles. Eu sigo em frente por eles. Pela primeira vez na minha vida, tudo isso tem um propósito. E esse propósito são os meus filhos. Todo o inferno, toda a dor e toda a solidão que vivi acabou me conduzindo até eles.
Eu começo o dia por volta das 6:30, 7:00. Tomo banho, acordo meus filhos e tomamos café da manhã juntos. Eu preparo o que eles quiserem comer. Depois, enquanto eles brincam, eu faço alguma reunião ou leio alguma coisa.
Aí chega a hora do almoço. Nós almoçamos e passamos a tarde talvez jogando algum jogo, assistindo televisão ou vendo um filme. Depois é a hora da janta e à noite, às vezes ficamos acordados até mais tarde para ir às compras ou fazer alguma coisa divertida para as crianças.
Então eu os coloco na cama, leio uma história para eles e, depois disso, passo o resto da noite colocando a correspondência em dia e cuidando dessas coisas. Só um pai como qualquer outro.
MJ: Sim, mas isso não me machuca. É bobagem. É infantil. Espero que ele esteja se divertindo.
GR: Como uma piada infantil. Ainda fere seus sentimentos e você não gostaria que seus filhos vissem.
MJ: Ah, Deus, eu odiaria se eles vissem isso. Eu odiaria isso.
GR: Você sabe se eles sabem disso.
MJ: Se eles sabem? Hmmm, não.
E aí, quando ela já tinha idade para andar e eu a levei lá pela primeira vez... ela simplesmente passou direto pelo quarto. (risos) Ela gosta é de brinquedos de menino! Gosta de caminhões, carros... O que o Prince quer, ela quer também.
É por isso que Harry Potter faz sucesso, é um filme voltado pra família. Não tem erro, simplesmente não tem. Por isso, quando escrevo letras de música, eu tento não falar coisas que ofendam os pais, porque a gente quer atingir um público amplo. Eu não quero ser desse jeito. Nós não fomos criados assim. De jeito nenhum, minha mãe e o Joseph não falariam esse tipo de coisa. Você conhece eles bem o suficiente.
O Fred Astaire Jr., por exemplo, as pessoas viviam perguntando pra ele: “Você dança?” e ele não dançava. Não tinha ritmo nenhum. Mas o pai dele era um gênio da dança. Isso não quer dizer que passa automaticamente pros filhos. Essa comparação é pesada, é difícil.
Eu sempre falo pra eles: você não precisa cantar, não precisa dançar, seja quem você quiser ser, desde que não machuque ninguém. Esse é o principal. Não é?
Isso te lembra de ser humilde e gentil, e de ver o mundo com os olhos das crianças, com esse senso de encantamento. Eu ainda tenho isso. Ainda me impressiono com as nuvens e o pôr do sol. Ontem mesmo eu estava fazendo pedidos olhando o arco-íris. Vi uma chuva de meteoros e fiz um pedido a cada estrela cadente.
Enquanto isso, Prince engatinha pela sala e senta aos pés do pai. Paris sobe no colo dele e se encolhe ali, enquanto ele faz carinho no cabelo dela.
Eu sou só uma pessoa que quer ser honesta, fazer o bem, deixar as pessoas felizes e dar a elas um tipo de escapismo através do talento que Deus me deu. É isso que está no meu coração. Só me deixem compartilhar, doar o que eu tenho e colocar um sorriso no rosto das pessoas, fazer o coração delas feliz.
Ver meus filhos pulando pela sala, enlouquecidos com a música da minha irmã Janet, é maravilhoso. Isso enche meu coração de alegria. Quando toca uma música da Janet com uma boa batida, tipo The Knowledge ou Rhythm Nation, eles ficam completamente empolgados. Dá a impressão de que uma máquina está controlando eles. Eu começo a cantar e a casa inteira vira uma gritaria. Eu começo a dançar e o Prince já vem no meio tentando dançar comigo.
E a Paris agora tá começando a falar e andar. Ela é um amor. E me surpreende ela gostar de bonecas. Minha irmã Janet não gostava, era meio moleca. Eu achava que ela ia ser assim também, mas não é.

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