Prince Jackson fala sobre o pai e o filme "Michael"
Prince: Com o passar dos anos, percebi que muita coisa que eu considerava como normal… na verdade não era tão normal assim. Crescer em Neverland com meus irmãos e meu pai era, pra gente, simplesmente estar junto em família, só que com elefantes e girafas andando no fundo. A gente jogava jogos de tabuleiro, lia livros, via filmes… Era realmente mágico. Era como ter uma Disney particular.
Pergunta: Como ele era como pai?
Prince: Incrível. Era impossível não se divertir com ele. Eu quero muito ter filhos um dia e meio que usar como referência tudo o que ele fazia como pai. Ele sempre se colocava no nosso nível, sabe? Mas sem nos tratar como criancinhas. Na verdade, ele fazia questão de que as pessoas falassem com a gente como falariam com adultos. E quando ele brincava com a gente, ele realmente entrava na brincadeira. Sentava no chão, pegava os brinquedos, inventava histórias, jogava jogos de tabuleiro… Ele tinha um lado muito infantil, no melhor sentido possível, e isso fazia tudo ser muito divertido. Também vivia pregando peças nas pessoas e essas coisas.
Pergunta: Eu lembro de você me contando sobre a primeira vez que ele mostrou o clipe de Thriller pra vocês. Você ficou apavorado? Porque era muito novo ainda, né?
Prince: Totalmente aterrorizado. E eu nem fazia ideia do que vinha pela frente. E o pior é que ele falou pra gente que tudo era real, que não tinha efeitos especiais nem nada assim. Ele sendo ele, né, continuou com a zoeira. E naquela noite ainda teve lua cheia. Então ele começou a fingir que estava passando mal, segurando a barriga… e a gente saiu correndo desesperado.
Pergunta: Me conta uma lembrança que o público nunca ouviu antes. Um momento privado entre vocês que sempre volta na sua cabeça… algo realmente especial pra você.
Prince: Quando moramos no Oriente Médio, não sei por que, mas a gente passava horas no "telhado". Eu lembro que, à noite, ele me acordava e nós subíamos pra lá. Era nessas horas que ele fazia muito daquele processo criativo dele. A gente ficava olhando as estrelas, comendo salgadinho… e era nesses momentos que ele começava a falar da infância dele, de como foi crescer, ou do que ele desejava pra mim no futuro. São esses momentos que eu mais sinto falta e que mais guardo comigo.
Pergunta: Eu via você nas notícias, na TV, em revistas… e ficava com pena, às vezes, porque parecia algo muito solitário. Sempre tinha segurança em volta e tudo mais. Era assim mesmo pra você?
Prince: Meu pai explicava pra gente o motivo de tudo. Das máscaras, dos seguranças, do porquê de toda vez que chegávamos em algum lugar as pessoas enlouquecerem gritando “Michael! Michael!”. Eu entendia por que precisávamos viver daquele jeito. E também reconheço o esforço enorme que ele fazia pra tentar diminuir esse isolamento. Eu cresci numa família gigante. Tenho mais de 40 primos, e vejo todos eles como irmãos e amigos. Então nunca me senti sozinho. Mas, com certeza, foi uma forma muito única de crescer.
Pergunta: E, de fato, foi única. Prince é produtor executivo do filme sobre a vida do pai, que está quebrando recordes no mundo inteiro. Ele diz que espera que o longa ajude as pessoas a entenderem melhor quem Michael Jackson realmente era. E que assistir ao primo Jaafar Jackson interpretando Michael no set foi uma experiência surreal.
Prince: Foi muito emocionante… porque fazia muito tempo que eu não “via” meu pai. Minha reação imediata foi de querer abraçar ele. Ele tava muito parecido com o meu pai. E eu tive que falar pro Jaafar: “Cara, eu te amo. Você está ótimo… mas eu preciso de um minuto.”
Pergunta: Na estreia do filme, Prince usou uma braçadeira vermelha em homenagem ao legado do pai e também em apoio à fundação Heal Los Angeles.
Prince: Aquela braçadeira foi feita com o mesmo tecido vermelho de veludo das camisas vermelhas que ele usava. Tenho certeza de que muita gente já viu fotos dele usando elas, e pra mim esse tecido literalmente me leva pra minha infância. Me dá a sensação de abraçar meu pai. Então poder carregar aquilo comigo naquele momento foi algo muito especial.
Pergunta: Do que você mais sente falta nele?
Prince: Sinto muita falta da risada dele, do sorriso… e da leveza que ele tinha. Ele passou por tanta coisa, e eu queria muito poder perguntar como ele conseguiu lidar com tudo aquilo da maneira que lidou.

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