Paris Jackson fala sobre novo álbum (Ago/2026)
Paris Jackson falou à KROQ sobre seu novo álbum, Happiest Day of My Life, e comentou a evolução de sua sonoridade, suas influências e o processo de composição do disco. Durante a entrevista, a artista também relembrou experiências pessoais que inspiraram algumas das músicas, falou sobre trabalhar com Linda Perry e contou que seu primeiro mosh pit foi em um show do Sepultura, aos 17 anos, depois de faltar ao baile da escola para ir a um festival onde também se apresentava o Metallica. Paris ainda revelou que já começou a escrever seu próximo álbum.
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📄 Transcrição — deslize para ler ↓
Paris: Olá.
Entrevistador: Bem-vinda.
Paris: Obrigada.
Entrevistador: Ouvindo o novo álbum, pelo menos para mim, parece que houve um salto enorme, uma evolução muito grande no som. Você sente que esse disco está mais próximo daquele tipo de álbum que você sempre quis fazer?
Paris: Acho que sim. Acho que existe essa adolescente angustiada dentro de mim que nunca foi embora de verdade, e meio que fiz esse álbum para ela. Queria fazer alguma coisa que ela achasse legal. Mas não sei se é um som ao qual vou ficar presa. Não sei se é necessariamente o caminho que vou seguir para sempre, porque, no fundo, eu sou uma artista folk. Sempre vou fazer essa coisa mais de cantora e compositora. E também quero explorar vários tipos diferentes de produção. Mas, neste caso, quando percebi que conseguia gritar e que também conseguia cantar usando mais a voz de peito, pensei: “Ah, então vamos fazer alguma coisa mais agressiva. Vamos fazer algo que não precise soar bonito”.
Entrevistador: Sim. Tem muito mais gritos neste álbum do que em qualquer coisa que você tenha feito antes. Sei que você trabalhou com Linda Perry nesse disco. Foi algo que ela ajudou a tirar de você ou aconteceu de forma mais natural?
Paris: Foi algo que começou a acontecer enquanto eu trabalhava no estúdio com Simon Oscroft em algumas músicas. Uma das músicas que acabamos lançando foi Band Aid. Isso foi há alguns anos, e aos poucos fui ficando mais confortável com esse tipo de vocal. Ainda acho que não sei gritar da maneira correta e provavelmente deveria trabalhar com um preparador vocal para aprender a fazer isso sem prejudicar minhas cordas vocais.
Entrevistador: Claro.
Paris: Porque eu simplesmente vou lá e faço. [risos] Mas foi tocando ao vivo e ficando mais confortável em fazer isso no palco que consegui depois levar esse tipo de vocal para o estúdio.
Entrevistador: Claro que você não quer machucar as cordas vocais, afinal estamos falando do seu instrumento de trabalho. Mas também existe alguma coisa nessa angústia e nessa crueza dos vocais que realmente pode acrescentar muito a um álbum, mesmo quando tecnicamente aquilo não está sendo feito da maneira mais correta.
Paris: Sim.
Entrevistador: Nós tivemos Linda Perry no Almost Acoustic Christmas com o 4 Non Blondes alguns meses atrás. Eles foram a surpresa da noite. Ela é realmente um ícone, uma lenda da KROQ e de toda essa história que construímos ao longo dos anos. Como vocês começaram a trabalhar juntas? E como foi esse processo? Conta um pouco sobre a contribuição dela para o álbum.
Paris: Sim. Em boa parte foi realmente composição em parceria. Acho que ela é uma compositora fenomenal. Ela tem um dom incrível para criar melodias. Então, muitas vezes ela chegava com uma frase principal ou com boa parte da melodia, e eu escrevia toda a letra, porque essa é a minha parte favorita do que faço: as palavras. Mas tudo começou porque fui convidada para participar de um evento da organização sem fins lucrativos dela, a Equalize Her, que imagino que você conheça. A organização cria oportunidades para que mulheres ocupem outras funções dentro da indústria musical, e não apenas aquela ideia da artista pop de collant no palco. Estamos falando de trabalhar com som, iluminação, mixagem, monitores e todas as outras funções que existem dentro dessa indústria, principalmente na música ao vivo. Fui convidada para tocar em um evento deles no Troubadour, e conheci Linda durante a passagem de som. E aí ela meio que me “roubou” para ela. [risos] Ela me convidou para ir ao estúdio dela, e nós fizemos Hit Your Knees, que é um single que lancei alguns anos atrás. Tudo aconteceu tão rápido e funcionou tão bem que pensei: “Quero continuar fazendo isso”. E foi assim que começamos a escrever o álbum.
Entrevistador: Do ponto de vista da composição, teve alguma coisa específica que ela conseguiu extrair de você? Porque, ouvindo este álbum, ele soa extremamente vulnerável. E não parece que você esteja escrevendo alguma coisa tentando ser identificável ou tentando fazer as pessoas se reconhecerem de propósito. Parece simplesmente você sendo 100% autêntica. Foi algo que ela ajudou a trazer à tona ou isso já estava em você? Como foi esse lado da composição?
Paris: Ela definitivamente dizia coisas como: “Seja específica”. Porque muitos dos compositores que admiro conseguem ser bastante vagos, e isso é algo que eu ainda faço com frequência. Mas ela tentava me incentivar a me afastar um pouco disso e ser mais específica sobre aquilo que eu realmente vivi.
Entrevistador: Tem algumas músicas em particular sobre as quais eu queria falar. Zombies in Love é uma música linda e, pela letra, tenho a impressão de que fala sobre um relacionamento passado que provavelmente não foi a melhor coisa da sua vida, mas agora visto com certo distanciamento. Tenho curiosidade sobre como essa música surgiu e também sobre a diferença entre escrever algo enquanto você ainda está vivendo determinada situação e escrever depois, quando já teve algum tempo e distância para olhar para aquilo.
Paris: Sim. Não sei qual das duas formas eu prefiro. Já tive experiências como no meu primeiro álbum, em que muitas das músicas foram escritas enquanto eu ainda estava no meio do processo de luto. Era um álbum conceitual sobre um relacionamento. E Zombies in Love fala sobre esse mesmo relacionamento, só que agora depois de anos de distanciamento, anos de sobriedade e anos de cura. E isso é quase... agridoce. Porque, de algumas formas, é melhor, e de outras talvez não seja tão bom. Mas é melhor no sentido de que, como tenho mais clareza agora, consigo olhar para aquilo de uma perspectiva mais objetiva, se é que faz sentido.
Entrevistador: Faz, sim. Quando você escreve dessa forma, é como se estivesse narrando a situação de longe, olhando tudo de cima? Porque continua sendo obviamente uma experiência muito pessoal, mas às vezes você consegue escrever como alguém que está olhando para si mesma de fora, mesmo sendo uma situação que você viveu?
Paris: Às vezes. Mas não diria que foi exatamente assim com Zombies. Nessa música, precisei voltar um pouco para aquele lugar emocional para realmente conseguir capturar o sentimento. Se eu me afastasse demais da experiência, acabaria perdendo essa proximidade com aquilo.
Entrevistador: Eu adorei o álbum. Stitched On and On é outra música de Happiest Day of My Life que vamos tocar no KROQ Locals Only. Para mim, ela tem uma atmosfera meio espacial, quase dream pop, mas ao mesmo tempo é animada. Também tem aquele peso meio áspero dos anos 90, algo que lembra lançamentos da Matador Records.
Paris: Adoro um som áspero. [risos]
Entrevistador: Fala um pouco dessa música. Eu adorei.
Paris: Ela foi escrita sobre o mesmo relacionamento.
Entrevistador: Então pelo menos teve algum lado positivo, né? Rendeu músicas muito boas.
Paris: Eu não acredito muito nessa ideia de positivo ou negativo. Acho que algumas coisas são mais leves e outras mais pesadas, e todas elas são necessárias. Porque fazem parte da experiência de estar neste planeta e de viver todo o espectro possível de sentimentos e experiências. E eu estou aqui para viver tudo. Pode mandar. [risos] Mas essa música surgiu porque eu não tinha contato com essa pessoa havia uns seis anos, e ela meio que reapareceu. Foi uma interação muito breve. E naquele momento percebi que eu tinha passado por tanta coisa, tinha feito tanto trabalho de cura e avançado tanto na minha sobriedade, enquanto aquela pessoa continuava exatamente igual. Então a música foi basicamente sobre essa experiência.
Entrevistador: A música obviamente está no seu DNA. Enquanto você crescia, teve alguma coisa que descobriu cedo, talvez algum disco que tocava aqui na KROQ, que acabou ajudando a moldar o som que este álbum teria anos depois?
Paris: Sim. Acho que descobri bastante coisa literalmente ouvindo esta estação de rádio no caminho para a escola pela manhã ou voltando para casa depois da aula. E várias bandas que influenciaram este álbum, principalmente em termos de produção e sonoridade, seriam bandas como Marcy Playground. Infelizmente, as músicas deles de que mais gosto não são aquelas que costumam tocar no rádio. Mas também Nirvana, Pixies, Smashing Pumpkins... Bright Eyes também é provavelmente uma das minhas maiores influências. Não sei se vocês costumam tocar Bright Eyes aqui na rádio.
Entrevistador: Com certeza. Já tocamos bastante Bright Eyes ao longo dos anos. Conor Oberst, de Omaha, é um dos meus artistas favoritos. Inclusive, ele acabou de fazer dois shows no Hollywood Bowl. Na verdade, um show no Hollywood Bowl, mas tocando dois álbuns na mesma noite. Não sei se você conseguiu ir.
Paris: Eu fui ao show de Nova York e ao de Red Rocks dessa série. O motivo de eu não ter conseguido ir ao Hollywood Bowl foi porque eu estava tocando no BottleRock Festival no mesmo dia. Eu até pensei em pegar um avião para tentar chegar a tempo, mas aí os caras do Chevy Metal me chamaram para fazer um show com eles, então pensei: “Tá, tudo bem”. [risos]
Entrevistador: E como foi o BottleRock?
Paris: Foi incrível. Incrível mesmo. Eu adoro aquele festival. Foi a segunda vez que toquei lá e gosto muito de estar naquele lugar.
Entrevistador: Sei que Sombr teve um público enorme, Foo Fighters foi uma das atrações principais, Lorde também... Você conseguiu assistir a alguma coisa?
Paris: Toquei no mesmo dia que o Foo Fighters, então consegui assistir. Eu estava cantando todas as músicas junto.
Entrevistador: Tudo resultado de ouvir KROQ indo para a escola quando era criança, né? [risos] Muito legal.
Paris: Eles foram uma das bandas que descobri ouvindo esta rádio.
Entrevistador: Smashed Pumpkin 13 já foi o seu nome de usuário no Instagram.
Paris: Sim.
Entrevistador: Conta um pouco sobre o seu amor por Smashing Pumpkins e o que a banda significa para você.
Paris: Eu literalmente tenho a pedaleira do Billy Corgan. Tenho alguns pedais que são os modelos realmente usados por ele e outros que são mais boutique, mas que conseguem reproduzir aquele mesmo som. Tem muito fuzz e distorção. Na verdade, é praticamente tudo pedal de fuzz. [risos] Acho que minha banda até tira sarro de mim por isso, porque é literalmente uma coleção enorme de pedais de fuzz. E o clipe que fizemos para Happiest Day foi extremamente inspirado no clipe de 1979. Uma das coisas legais daquele clipe é que coloquei vários amigos meus nele, e havia uma exigência para participar: você precisava ser um artista local de Los Angeles. Então tivemos bandas como Moon Fuzz, Pegzilla, Pretty the Band, Sludge Mother, além de Gabe Mascot e vários outros artistas locais. E todo mundo recebe crédito no final do clipe, justamente para que a gente possa divulgar outros artistas daqui. A ideia era muito de apoiar todo mundo, de levantar uns aos outros e juntar a comunidade.
Entrevistador: Adorei isso. É exatamente o espírito do KROQ Locals Only, que vai ao ar todos os domingos à noite. Onde vocês gravaram o clipe?
Paris: Por toda Los Angeles. É como se fosse um dia perfeito em Los Angeles, junto com todas as minhas bandas favoritas daqui. Filmamos principalmente na região leste da cidade. Teve coisa em Eagle Rock, Silver Lake...
Entrevistador: Inclusive estamos gravando vídeos hoje em Eagle Rock. Falando nisso, outra banda muito ligada à KROQ e de quem imagino que você seja próxima, até porque vocês já tocaram juntos, é o Incubus.
Paris: Sim.
Entrevistador: Eles fizeram aquele show de Morning View no Hollywood Bowl alguns anos atrás e você estava no line-up. Conta como foi tocar no Hollywood Bowl antes do Incubus apresentar Morning View. Estávamos falando agora mesmo de Bright Eyes tocando discos completos, e esse também é um álbum lendário. Como surgiu essa oportunidade? Como foi aquela noite?
Paris: Foi uma experiência surreal e uma das coisas mais incríveis que já vivi. Tocar no Hollywood Bowl... Os caras do Incubus são algumas das pessoas mais legais que já conheci. Já fiz turnê com eles duas vezes. Na primeira vez, eu estava com a banda completa, e foi nessa época que fizemos o Hollywood Bowl. Na segunda vez, eu era a primeira de três atrações. Depois vinha Manchester Orchestra, que trabalhou comigo no meu primeiro álbum e com quem também fiz um single certa vez. E nessa segunda turnê eu estava fazendo apenas um set acústico. Os caras do Incubus apareciam no meu camarim todos os dias. Sempre passavam para dizer oi, perguntar se estava tudo bem com todo mundo. Existe uma energia muito carinhosa e acolhedora entre eles que eu acho rara. Ao mesmo tempo, sinto que isso é bastante comum no mundo do rock. Às vezes você encontra aqueles caras mais intensos do death metal, completamente cobertos de tatuagens, e eles são as pessoas mais gentis que você poderia conhecer. Existe esse senso de comunidade e de carinho dentro da música mais pesada que eu adoro.
Entrevistador: Sim. Existe realmente esse aspecto comunitário. É um ambiente muito acolhedor.
Paris: Sim. Quando eu tinha 17 anos, participei do meu primeiro mosh pit em um show do Sepultura. Eu faltei ao baile da escola para ir ver Metallica, e o Sepultura estava tocando no mesmo festival. Foi meu primeiro mosh pit. Eu tinha 17 anos. E existe essa sensação de que, quando você cai, alguém imediatamente te levanta, sabe? Existe um carinho ali.
Entrevistador: Você também já tocou com Queens of the Stone Age ao longo dos anos. Silversun Pickups, que também são pessoas incríveis. Nikki e Brian são demais. Manchester Orchestra... Tem alguma coisa que você aprendeu estando na estrada com essas bandas e que acabou levando para os seus próprios shows, para a sua presença de palco ou para a forma como trabalha?
Paris: Acho que a principal coisa que aprendi com essas pessoas, principalmente com caras como os do Manchester Orchestra, que são pessoas extremamente humildes e genuínas, é que fazer turnê é difícil. Você não dorme direito. Principalmente em uma situação como a minha, em que estamos viajando de van e tentando acompanhar o ônibus da turnê. Às vezes você dirige quatro horas, faz um show, dirige mais quatro horas, dorme um pouquinho, acorda, termina o trajeto e faz outro show. É muito intenso. Todo mundo sente saudade de casa. Por isso precisamos manter as coisas divertidas e leves. Você precisa aproveitar as pessoas que estão ali com você e realmente criar esse sentimento de família. Porque é isso que torna tudo mais fácil. No fim das contas, estamos fazendo aquilo que amamos. Não estamos presos o dia inteiro debaixo de luz fluorescente em um trabalho que odiamos. Estamos fazendo algo que amamos, e isso é um privilégio enorme. Às vezes, as partes mais exigentes de uma turnê podem fazer a gente esquecer disso se não tomar cuidado. E sei que minha equipe e minha banda já falaram sobre o quanto gostam da maneira como trabalhamos. Existe muito carinho, uma energia de “um por todos e todos por um”, e estamos rindo o tempo inteiro. É divertido. A gente faz questão de tornar tudo divertido.
Entrevistador: Isso é incrível. Porque estar na estrada realmente pode ser exaustivo, indo de uma cidade para outra.
Paris: Sinto falta dos meus gatos. Sinto falta da minha cama. Não estou dormindo direito...
Entrevistador: Mas você continua fazendo.
Paris: E estou me divertindo muito com algumas das pessoas mais legais que existem.
Entrevistador: Exatamente.
Paris: Sim.
Entrevistador: Se Wilted era um retrato de quem você era em 2020 e agora, em 2026, Happiest Day of My Life é um retrato de quem você é hoje, quando olha para essas duas versões de si mesma — porque as duas ainda são você — qual é a maior diferença entre quem você era naquela época e quem é agora?
Paris: Praticamente não tenho expectativas. Eu tento fazer o trabalho e não me apegar ao resultado. Minha mentalidade ao lançar este álbum é completamente diferente da que eu tinha quando lancei o anterior. Existe uma espécie de desapego. Não no sentido de me afastar ou me desconectar, mas de segurar as coisas de maneira mais leve. E eu já comecei a escrever o próximo álbum. Já tenho umas cinco ou seis músicas e estou pronta para começar a gravar algumas delas. Então é meio que: vamos continuar. Vamos em frente.
Entrevistador: Você já tem alguma ideia de como esse próximo disco vai soar? Porque, como você disse, no fundo você é uma artista folk, mas gosta de muitos tipos diferentes de música. Você imagina que será uma continuação deste álbum? Pensando agora, qual caminho você imagina?
Paris: Acho que Elliott Smith é o caminho para o próximo.
Entrevistador: Um pouco de Elliott Smith, talvez um pouco mais da influência de Bright Eyes...
Paris: Sim. Joga uns ré menores aí. [risos]
Entrevistador: Exatamente. Mas, antes de chegarmos lá, vamos aproveitar o novo álbum, o seu segundo disco.
Paris: Vamos aumentar o volume. Vamos nos divertir. Vamos pular.
Entrevistador: Happiest Day of My Life, o novo álbum de Paris Jackson. Muito obrigado por passar pelo KROQ Locals Only.
Paris: Muito obrigada.

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