Prince Jackson fala sobre o filme 'Michael' no programa do JoJo Wright e se emociona
Prince Jackson tem uma conversa emocionante e cheia de revelações sobre o novo filme Michael, o legado de Michael Jackson e a sensação de ver seu primo Jaafar Jackson se transformar no Rei do Pop nas telonas.
Nesta entrevista abrangente, Prince compartilha histórias inéditas dos bastidores da produção, incluindo momentos marcantes no set, a reconstituição de performances emocionantes para o cinema e a responsabilidade que sentiu ao atuar como produtor executivo para proteger o legado de seu pai.
Ele também se abre sobre o lado humano de Michael Jackson — sua filantropia, sua compaixão e o impacto que causou em gerações de fãs por todo o mundo.
Ele sempre foi, continua sendo e sempre será um homem do povo. E acho que o público falou. As pessoas mostraram que ele continua sendo, sem dúvida, o Rei.
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Sucesso do filme, IMAX e a emoção de ver Michael nas telas
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E: Prince Jackson, é muito bom ver você. Como você está, cara?
P: Ótimo, ótimo. E você?
E: Estou ótimo. Deixa eu começar por aqui. Obviamente, Michael... você sabe o quanto eu amo o seu pai. A gente fala disso há anos. Eu estava muito animado para esse filme e ele não decepcionou nem um pouco. Meu Deus.
E: Antes de começarmos, deixa eu jogar alguns números aqui — e geralmente erro essas coisas porque essas anotações são uma loucura. Michael quebrou todo tipo de recorde no fim de semana de estreia. Basicamente, se existia um recorde, ele foi quebrado. Maior bilheteria de uma terça-feira para um filme, caso alguém acompanhe recordes de terça-feira. [risos]
E: Sem falar que vários álbuns do Michael voltaram às paradas depois do filme. Isso ficou maior do que grande. É realmente espetacular. Eu sei que não se trata apenas de dinheiro e números, mas o que você achou do sucesso desse primeiro fim de semana?
P: Sinto muito orgulho e muito amor, porque houve muito trabalho, dedicação e esforço de todo mundo envolvido nisso.
P: E é muito gratificante porque, antes do lançamento do filme, começaram a sair as críticas e, como costuma acontecer, acho que a mídia tradicional e certas instituições apostaram contra o meu pai.
E: Péssima aposta.
P: Pois é. Ele sempre foi, continua sendo e sempre será um homem do povo. E acho que o público falou. As pessoas mostraram que ele continua sendo, sem dúvida, o Rei.
E: Amém. Eu vi que em determinado momento o Rotten Tomatoes estava marcando algo como 37% e pensei: “Vocês só podem estar malucos”. Aí, claro, depois que eu vi o filme e o público começou a assistir, a avaliação das pessoas foi lá para cima.
E: Você me disse que já assistiu 14 vezes, certo?
P: Sim, senhor.
E: Dolby Cinema ou IMAX?
P: Tenho preferência pelo IMAX porque acho que esse filme precisa ser vivido numa tela grande.
P: Eu nunca tive a oportunidade de ver meu pai se apresentar ao vivo. O mais perto que cheguei foi no Madison Square Garden, pouco antes do 11 de Setembro, e eu era muito pequeno.
P: Então, poder estar no set todos os dias e acompanhar aquelas performances pessoalmente foi incrível. E agora poder vê-las numa tela enorme, de uma forma que o público nunca teve a oportunidade de ver antes... preciso recomendar o IMAX. Esse filme merece aquela tela.
E: O quanto foi emocionante assistir ao filme para você?
P: Para ser sincero, acho que a maior parte da emoção veio durante a produção.
P: Depois de trabalhar nesse projeto por tanto tempo, houve uma sensação enorme de alegria e alívio quando finalmente tivemos o produto pronto — cerca de duas horas e dez minutos.
P: Ver uma coisa que começou numa página finalmente chegar à tela grande foi extremamente gratificante.
E: E qual foi o momento mais forte para você, seja assistindo ao filme ou durante a produção?
P: Acho que certamente um deles foi ver meu primo Jaafar pessoalmente, já com cabelo e maquiagem, num dos primeiros testes de câmera.
P: É difícil explicar o que senti porque fazia muito tempo que eu não via meu pai e, por uma fração de segundo, parecia que ele estava ali na minha frente.
P: Meu primo Jaafar trabalhou demais para trazer essa autenticidade e até para aprender a se portar daquela maneira.
P: E os shows também foram muito emocionantes para mim. Durante muito tempo, ver aquilo era um sonho que achei que nunca poderia realizar. Não consegui assistir Michael Jackson em um show, mas pude ver a coisa mais próxima disso.
O impacto de Michael Jackson e Havenhurst
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E: Você conhece Michael Jackson como “pai”, de uma maneira que nós nunca vamos conhecer. E agora você está enxergando Michael pelos olhos dos fãs. Você já tinha noção da dimensão do impacto dele?
P: Até hoje continuo descobrindo o tamanho desse impacto.
P: Tenho a sorte de viajar pelo mundo e, em qualquer lugar aonde vou, sempre aparece alguém com uma história sobre meu pai e sobre como ele mudou a vida daquela pessoa.
P: Quanto mais velho fico, mais valorizo isso e mais consigo compreender.
P: E mesmo depois do lançamento do filme, muitas pessoas estão dizendo que se sentiram inspiradas e que agora querem correr atrás dos próprios sonhos. Essa era uma das nossas esperanças ao contar essa história. Meu pai é uma inspiração, e queríamos reacender essa inspiração nas pessoas.
P: Então ouvir isso de pessoas que conheço e também de desconhecidos na internet tem sido uma experiência incrível.
E: Você está falando com um cara que tem três tatuagens inspiradas no Michael Jackson, Prince. E vou dar um exemplo bem específico de como ele me inspirou.
E: Quando comecei no rádio, eu era muito jovem e tinha colocado na cabeça que, para trabalhar com rádio, você precisava ter aquela voz profunda, uma voz enorme. E eu não tinha. Então ouvi Michael falando e alguma coisa clicou: aquilo que eu achava que talvez fosse uma desvantagem poderia acabar sendo meu maior diferencial.
E: A voz falada dele também o diferenciava. Aquilo me fez perceber que talvez o que eu via como negativo não fosse negativo. Seu pai me inspirou de muitas maneiras e é uma das razões pelas quais estou aqui, quase 30 anos depois, na Kiss FM.
E: Teve alguma história sobre Michael no filme que nem você conhecia?
P: Eu sempre tinha ouvido falar que havia uma girafa em Havenhurst, mas achava que era uma piada. Tipo: onde você colocaria uma girafa? É um animal enorme. [risos]
P: Durante a fase de pesquisa para o filme, estávamos buscando muitas fotografias, entrando nos arquivos, e apareceu uma foto antiga de uma girafa em Havenhurst.
P: Minha avó tinha me contado isso, meus tios tinham contado, meus primos também. E eu pensava: “Tá bom, deve ser uma dessas histórias exageradas que a família fica repetindo”.
P: Não. Existe uma foto. Realmente havia uma girafa lá.
P: E, pesquisando a história da família para o filme, cheguei a outra percepção. Na minha opinião, acho que, quando estava construindo Havenhurst, meu pai já estava experimentando algumas das ideias de como queria que o restante da vida dele fosse.
P: Quando você visita a propriedade, ela é linda, mas existem elementos claramente inspirados na Disney. Tem uma exposição de brinquedos, o estúdio, havia um cinema...
E: Meu Deus. Só estive em Havenhurst, acho, duas vezes, nos seus eventos
E: Numa das noites em que eu estava apresentando um evento lá, precisei de um lugar para preparar minhas anotações e acabei num closet do quarto dele. Enquanto estava ali, de repente pensei: “Meu Deus. Eu estou no quarto do Michael Jackson”. Aquela propriedade é realmente especial.
Reação do público, a transformação de Jaafar e Bubbles
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E: Você entrou escondido em algum cinema para observar a reação do público?
P: Muitas pessoas fizeram isso e me mandaram as reações. Mas esse projeto foi uma jornada tão longa para mim e para todos nós que eu queria simplesmente aproveitar o fato de que finalmente tinha estreado.
P: No começo desta semana, fui assistir a outro filme com meus primos e Michael estava passando na sala ao lado. Antes de entrarmos no nosso filme, fomos dar uma espiada naquela sala. Estava justamente na montagem de Don’t Stop, então foi muito legal observar como as pessoas estavam reagindo.
E: Quando você entrou, alguém percebeu que era você?
P: Não. E essa era justamente a preocupação. [risos] Eu estava ali para assistir a um filme. Não queria ser cercado e transformar aquilo numa situação de imprensa. Então ficamos de boné baixo, entramos, demos uma olhada e saímos.
E: Qual foi aquele momento em que Jaafar realmente assustou você, no sentido de: “Meu Deus, esse é meu pai ali”?
P: Definitivamente foi naquele teste de câmera, quando o vi pessoalmente.
E: O que tinha naquele teste especificamente?
P: Antes disso, eu só tinha visto fotos dele com cabelo e maquiagem numa tela de computador ou de telefone.
P: Também tinha ouvido algumas gravações de voz. Ele estava praticando a voz falada do meu pai e enviava algumas gravações para Graham, o produtor.
P: Quando Graham colocou uma delas para eu ouvir, achei que ele tivesse encontrado uma gravação inédita do meu pai. E ele falou: “Não. Isso é o Jaafar”. Sem inteligência artificial nem nada.
P: Jaafar é meu primo e eu sabia que faria um bom trabalho, mas não imaginava que faria um trabalho tão bom. Ele superou todas as minhas expectativas.
E: E, para quem pensa que Jaafar conseguiu o papel simplesmente por ser um Jackson, assista ao filme. Suas dúvidas vão desaparecer em segundos.
P: Enquanto Jaafar estava trabalhando nesse projeto, praticamente não víamos ele. Uma das poucas vezes em que o encontrei foi em Havenhurst. Ele estava completamente suado, dançando sozinho.
P: Ninguém tinha mandado. Aquilo não fazia parte da agenda dele. Ele precisava manter a si mesmo naquele estado o tempo inteiro.
E: Ele já falou que Havenhurst era um dos lugares em que conseguia sentir, na falta de uma palavra melhor, o espírito ou a aura do seu pai. Você sente algo parecido?
P: A propriedade inteira é especial. Acho que meu pai já estava experimentando ali algumas ideias que mais tarde apareceriam em Neverland. Você sente a presença dele e aquela alegria por toda a propriedade.
P: E existem cômodos, como a sala de memórias, em que dá para perceber muito claramente essa intenção.
P: Inclusive, você viu aquela história de que Jaafar teria ido visitar o Bubbles, mas a foto era feita por inteligência artificial? [risos] Ninguém verifica mais essas coisas.
E: Eu nem ia mencionar isso, mas é verdade. Aquilo não aconteceu.
P: Não aconteceu. Quando você amplia a imagem, percebe que o rosto está um pouco estranho. Não é meu primo. É uma versão dele feita por inteligência artificial.
E: O Bubbles ainda está vivo em algum santuário?
P: Sim. Acho que ele está no Great Ape Sanctuary, na Flórida. O espólio do meu pai ainda paga pela alimentação dele.
P: E me disseram que ele gosta de receber a comida dentro de uma mochila. Não sei por quê, mas aparentemente ele gosta que entreguem a comida numa mochila.
E: Está vendo como essas histórias começam? Porque eu acreditei naquela foto.
P: Eu também acreditei por meio segundo. Mas aí você faz aquela investigação básica de Instagram, dá zoom e olha direito.
Filantropia e a humanização de Michael Jackson
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E: Se seu pai assistisse a esse filme, qual parte você acha que seria a favorita dele?
P: Pensando nas performances, acho que Bad é uma daquelas sequências completamente eletrizantes e muito envolventes, principalmente em IMAX.
P: Mas acho que ele ficaria realmente orgulhoso das cenas no hospital de queimados.
E: Meu Deus. São muito emocionantes, né?
P: Sim. E acho que o importante é que, mesmo naquele momento, quando ele próprio estava lidando com dor e incerteza em relação ao futuro, ele ainda reservava tempo para estar com pessoas que tinham queimaduras parecidas ou até muito mais graves do que as dele.
P: Existe aquela fotografia em que ele está no setor de queimados, usando a luva, ao lado de um homem praticamente todo enfaixado. Conseguir recriar aquilo da maneira mais fiel possível foi muito importante.
P: Espero que ele ficasse feliz de se ver retratado dessa forma.
E: Sei que uma das coisas que mais deixam você orgulhoso quando fala do seu pai é o trabalho filantrópico dele. Acho que o filme mostra bem esse lado.
P: Sem dúvida. Meu pai significa muita coisa para muitas pessoas, ao longo de muitas décadas.
P: E um dos grandes desafios de fazer um longa-metragem para públicos do mundo inteiro é justamente decidir o que entra e o que fica de fora para criar uma narrativa com a qual as pessoas consigam se conectar.
P: Na primeira vez que você assiste, existe aquela ansiedade: “Sobre o que eles vão falar? O que não vão abordar? Jaafar fez um bom trabalho? É realmente o Michael naquele palco?”.
P: Depois que você passa por isso e consegue respirar aliviado, assiste de novo e começa a perceber várias maneiras mais sutis pelas quais o filme aborda coisas que aconteceram com meu pai ou afetaram a vida dele — o vitiligo, o acidente com queimaduras...
P: E a filantropia era muito importante para mim porque acho que é uma das maiores qualidades dele.
P: O que tornava meu pai tão especial era o fato de ele reservar tempo não apenas para os fãs, mas também para pessoas que tinham muito menos do que ele. Porque era simplesmente quem ele era.
P: Nosso objetivo com esse filme era humanizá-lo e mostrar quem era Michael, não apenas o Rei do Pop.
E: Exatamente.
P: E acho que conseguimos capturar muitas facetas da personalidade dele.
Novas gerações e a influência de Michael Jackson
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E: Estamos mais de 40 anos depois do auge dele e cerca de 17 anos depois de sua morte, e ele ainda influencia música e cultura pop. Artistas entram aqui todos os dias e mencionam ele pelo nome ou pelos movimentos. Acho que esse filme apresenta Michael a pessoas novas. O que você acha?
P: Acho que a música dele é atemporal. Todos nós conhecemos aquelas músicas e estamos familiarizados com elas.
P: E o que espero com o filme — e já estou vendo acontecer — é alcançar também crianças mais novas.
P: Tem jovens postando músicas do Jackson 5 nas redes sociais que eles só conheceram depois de assistir ao filme.
P: Então conseguir reapresentar toda aquela fase da vida do meu pai e da minha família para um público novo é muito emocionante. É uma fase positiva e também inspiradora.
P: Espero que isso continue ajudando a contextualizar quem ele era.
P: Porque esse homem era maior do que a vida. Muitas pessoas enxergam ele quase como uma figura não humana, porque existe uma idolatria tão grande.
P: Mas acho importante que pessoas de todas as idades — quem cresceu acompanhando ele ou quem acabou de conhecê-lo — entendam que, no fim das contas, ele era um ser humano.
P: Ele sangrava. Ele chorava. Como qualquer um de nós.
Colman Domingo e a interpretação de Joe Jackson
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E: Falamos bastante da atuação do Jaafar, e o elenco inteiro está espetacular. Mas preciso mencionar Colman Domingo, que interpretou Joe Jackson, seu avô. Como você descreveria a atuação dele?
P: Colman é uma pessoa incrível. Um homem de muita integridade.
P: Lembro do primeiro dia dele no set. Ele estava no trailer e pediu que eu e meu tio Marlon fôssemos conversar com ele.
P: Ele perguntou: “O que você gostaria que eu soubesse sobre o seu avô e que eu pudesse levar para o personagem?”.
P: Achei uma postura muito séria e respeitosa.
P: Meu tio Marlon também estava comigo e aquele era o pai dele, então não queria me intrometer muito na conversa dos dois.
P: Depois de contar um pouco da minha perspectiva sobre meu avô como avô e algumas histórias que tinha ouvido sobre meu pai, falei de uma coisa específica.
P: A gente quase nunca abraçava meu avô. Ele tinha esse cumprimento meio de bater os punhos.
P: Então falei: “Quando você encontrar o Jaafar, faça isso. Vai mexer com ele”.
P: Depois Jaafar me contou que Colman realmente fez. E ele ficou: “Como você sabia disso?”.
P: Acho que Colman trouxe muita nuance porque conseguimos ver os dois lados. Meu avô era um pai muito duro. Ele também cresceu num ambiente muito duro. Ele era um motivador.
P: E muitas vezes, quando contamos uma história, perdemos as razões e o contexto por trás de determinados comportamentos. Espero que, através do filme e da atuação do Colman, o público consiga enxergar essas nuances.
E: Você chamava ele de Joseph ou de avô?
P: Tive a sorte de poder chamar ele de “vovô”.
P: Acho que, mais tarde na vida, meu avô ficou um pouco mais tranquilo e talvez tenha reconhecido alguns dos próprios erros.
P: Sei que muitos dos meus tios e tias cresceram chamando ele de Joe. Acho que em algum momento isso também mudou e começaram a chamá-lo de pai. Mas, para mim, ele sempre foi o vovô.
P: Meu avô tinha uma presença muito forte. A reputação chegava antes dele.
P: E não sei como Colman conseguiu, mas ele também tinha aquela presença. Algumas pessoas que conheceram meu avô ficavam até intimidadas quando Colman aparecia no set.
P: Eu tive a sorte de estar no lado bom do meu avô. [risos] Mas ouvi dizer que, se você estivesse no lado ruim, não era nada divertido.
E: Se eu tivesse conhecido seu avô, certamente teria chamado ele de “Sr. Jackson”. [risos]
Prince como produtor executivo e sua participação no filme
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E: Qual foi exatamente o seu papel como produtor executivo? Quais eram suas responsabilidades no filme?
P: Tive várias responsabilidades diferentes, mas, acima de tudo, era preservar e proteger o legado do meu pai e a maneira como ele seria representado.
P: Felizmente, tínhamos uma equipe excelente e todo mundo estava na mesma página, então não precisei ficar lutando por isso.
P: Também tive a sorte de conhecer muitas pessoas, inclusive várias que trabalharam com meu pai e tinham histórias específicas.
P: Então, durante o desenvolvimento, eu conectava Graham King com pessoas que trabalharam com ele, que o conheceram. Marcávamos reuniões, conversávamos.
P: Queríamos realmente investigar e entender quem meu pai era — como colega de banda, como integrante da família, como pessoa.
P: E, quando entramos em produção, eu sempre pensava em maneiras de incluir os fãs ou as crianças e fazer com que tudo parecesse conectado.
P: Existe uma cena numa feira em que Michael canta para uma menininha. O propósito daquela cena era mostrar que meu pai estava sempre tentando alcançar as pessoas, trazê-las para perto e convidá-las para fazer parte daquela comunidade, principalmente quem tinha menos oportunidades.
P: E não queríamos contratar uma criança para fingir ter uma deficiência. Queríamos alguém que pudesse interpretar aquilo de maneira autêntica.
P: Então fizemos várias ligações para antigos membros do conselho da fundação e conseguimos encontrar essa menina.
P: Uns dois meses antes da estreia, descobrimos que a cena tinha permanecido na versão final e que ela realmente apareceria com destaque. Então ligaram para contar e ela ficou muito animada.
E: Ela surtou quando descobriu?
P: Sim. Ficou muito, muito feliz.
E: E onde estava sua participação no filme? Eu perdi.
P: Essa participação surgiu meio como uma ideia divertida. E vou ser sincero: gravei algumas participações diferentes. [risos]
P: Por sorte, uma delas entrou no filme. Quase fui parar no chão da sala de edição.
P: Não quero dar spoilers, mas apareço bem perto do final, nos últimos cinco ou dez minutos.
P: Acho que existe um simbolismo legal em eu estar com meu pai durante um momento e uma decisão muito importantes para ele.
P: Não estou interpretando a mim mesmo. Mas estar ali ao lado do meu primo interpretando meu pai cria um pequeno momento divertido e significativo.
E: Quando você coloca dessa forma, realmente existe um simbolismo. É especial que você esteja ali enquanto ele começa a assumir o controle da própria vida.
P: Exatamente. Exatamente.
Premiações e uma possível parte dois
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E: Esse filme merece indicações. Jaafar precisa ser indicado. Colman precisa ser indicado. O filme precisa ser indicado. O que você acha?
P: Acho que também existe bastante superstição quando começamos a falar de premiações e indicações.
P: Para mim, todo mundo nesse projeto, do topo até a base, merece todos os elogios que puder receber porque realmente houve muito trabalho.
P: Foi um projeto feito com amor e dedicação, e isso aparece na tela.
P: Mas o mais importante para mim é: o público se conectou? As pessoas ficaram felizes?
P: E, até agora, tenho visto isso acontecendo em grande escala. Espero que continue.
P: No fim das contas, acho que a voz do público é o que mais importa.
E: Fazer uma cinebiografia de alguém que é uma das pessoas mais famosas que já existiram é uma tarefa absurda. Do ponto de vista dos fãs, sabemos como Michael Jackson andava, falava, parecia e se movia. Vocês tinham que acertar em cheio e acertaram.
E: Tenho visto algumas coisas sobre uma parte dois. O que você pode dizer?
P: Obviamente ainda existe muita coisa da história do meu pai que merece ser contada.
P: A questão é decidir qual história queremos contar numa segunda parte.
P: Na primeira, temos a criança que se tornou o Rei do Pop. É a história de origem dessa figura maior do que a vida.
P: Então a próxima pergunta é: aonde vamos a partir daí?
P: Existe muita coisa que acho que deveria e merece ser contada. A questão é encontrar a melhor maneira de chegar lá.
E: Aliás, se tiver um radialista na parte dois, quero interpretar o radialista. [risos]
P: [risos]
Memórias de infância com Michael: caminhadas, brincadeiras e lojas de brinquedos
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E: Me conta uma coisa extremamente normal que você fazia com seu pai. Algo tão normal que chega a ser quase entediante.
P: A gente caminhava muito. Saíamos para a natureza, dependendo de onde estávamos morando naquela época.
P: Caminhávamos muito pela praia quando estávamos no Oriente Médio. Caminhávamos bastante pelas florestas na Irlanda.
E: E foi aí que ele contou aquela história paranormal que você me falou.
P: Exatamente.
P: Também passávamos muito tempo do lado de fora, brincando de pega-pega ou esconde-esconde, nos escondendo atrás das árvores e coisas assim.
E: Agora me conta o momento mais “Michael Jackson” ou mais inacreditável que você viveu com seu pai.
P: Hoje, quando olho para trás, acho absurdo pensar que ele fechava lojas de brinquedos inteiras.
P: E era só para nós três. Para mim, aquilo era normal enquanto crescia.
P: Mas, olhando hoje, penso: “Isso é insano”.
P: Lembro que colocavam papelão ou alguma coisa cobrindo os vidros da loja para ele ter privacidade lá dentro.
E: Quando era criança, você entendia por que faziam aquilo ou só percebeu depois?
P: Hoje entendo muito mais.
P: Eles explicavam quando eu era criança por que aquilo era necessário, mas enxergar tudo agora de uma perspectiva externa me fez compreender muito melhor por que ele precisava fazer determinadas coisas.
P: E também tivemos a oportunidade de fazer algumas vezes nossa própria experiência de fechar uma loja de brinquedos com a Heal Los Angeles Foundation.
P: Posso dizer que não é nada fácil fechar uma loja de brinquedos. [risos] Mas realmente é uma daquelas coisas muito “MJ”.
Heal Los Angeles e “This Is Thriller”
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E: Falando na Heal LA, o que há de novo na Heal Los Angeles?
P: Estamos no sexto ano de programação com a Loretto Street Elementary.
P: Temos três programas que funcionam praticamente o ano inteiro.
P: Temos uma aula virtual de culinária, a clínica de atividades físicas Power Up e o programa Smile, que trabalha saúde mental, mindfulness, yoga e meditação.
P: Também temos nossa iniciativa de Dia da Carreira, que é muito legal.
E: Quero participar do próximo.
P: Sim. E estamos muito animados porque algumas pessoas que trabalharam no filme Michael vão participar.
P: Bill Corso participou no ano passado e as crianças adoraram.
P: Para quem não sabe, ele foi responsável pela maquiagem dos nossos principais atores no filme. Quando foi à escola, levou material de efeitos de maquiagem para fazer ferimentos falsos nas mãos das crianças, e elas ficaram enlouquecidas. [risos]
E: Uau. E vocês vão fazer a noite de Thriller de novo este ano?
P: Temos outro evento chamado This Is Thriller, realizado no Palace Cinema — ou Palace Theater — e vamos fazer novamente este ano.
E: Legal. E o Palace Theater é onde algumas partes de Thriller foram filmadas, para quem não sabe.
A faixa vermelha em homenagem a Michael e mensagem aos fãs
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E: Quero falar da faixa vermelha no braço. Você tinha uma feita com tecido relacionado ao seu pai. Qual era a história por trás disso?
P: Para começar, nem posso levar o crédito pela ideia. Foi do meu irmão.
P: Queríamos demonstrar apoio ao nosso pai de uma maneira que fosse autêntica para nós, e não de um jeito muito chamativo, tipo “olhem para mim”.
P: Meu pai sempre usava uma faixa vermelha no braço.
P: Mais tarde na vida, ele também passou a usar isso junto à plataforma dele para chamar atenção para causas sociais ou questões que estava apoiando.
P: Então, para Bigi e para mim, foi uma maneira muito especial de carregar uma parte dele conosco.
P: E, por coincidência, sem planejarmos, Jaafar também estava usando uma faixa vermelha em Berlim.
P: Meu irmão teve a ideia de pedir a Michael Bush para fazer os detalhes nos nossos ternos.
P: Quando explicamos nossas ideias, Michael Bush respondeu: “Sem problema. Deixa comigo”. E ele acrescentou aquele elemento realmente especial.
P: Não sei nem se ele sabe o quanto aquele veludo cotelê vermelho significa para mim.
E: Mas foi cortado de uma camisa que pertenceu ao seu pai?
P: Michael Bush foi o figurinista do meu pai durante grande parte da vida dele e também produzia roupas comuns que ele usava no dia a dia.
P: Ele guardava vários dos tecidos usados para confeccionar essas camisas.
P: Então o tecido das faixas vermelhas que meu irmão, eu e também as famílias da Heal LA estávamos usando veio daquela coleção de tecidos.
E: Entendi. Prince, a última coisa que vou pedir é uma mensagem. O que você gostaria de dizer aos fãs que amam seu pai, amam esse filme e também amam você?
P: Sou eternamente grato por todo o amor e apoio de vocês ao longo dos anos e por continuarem nos apoiando.
P: Espero que o filme deixe vocês felizes e orgulhosos.
P: Sei que ele me deixa muito orgulhoso. Então, mais uma vez, obrigado.
E: Prince, é sempre um prazer ver você. Parabéns por tudo, cara.
P: Obrigado, irmão. Eu agradeço.
E: Com certeza. No final de todas as entrevistas, precisamos bater os punhos para oficializar.
P: Vamos nessa.

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