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novembro 03, 2022   2022 , Entrevistas/Prince , menções/mj , Michael Jackson , Prince , Taj Jackson , Video/Prince

Prince e Taj Jackson falam sobre o legado da família, os 40 anos de Thriller e trabalhos sociais

Podcast • Entrevista

Em conversa com Bill Bellamy no Top Billin’, Prince e Taj Jackson relembram a história musical da família, falam sobre Michael Jackson, os 40 anos de Thriller, a festa beneficente Thriller Nights e o trabalho da Heal Los Angeles Foundation. Eles também compartilham histórias pessoais, lembranças de infância e reflexões sobre privacidade e o legado dos Jacksons.

Programa
Top Billin’ with Bill Bellamy
Data
3 de novembro de 2022
Entrevista
Bill Bellamy
Transcrição
A família Jackson, a infância e o início do 3T

Bill Bellamy: E aí, pessoal? (...) Hoje estou com dois integrantes da minha família do coração. Posso dizer, com toda sinceridade, que eles fazem parte de uma das famílias mais famosas do mundo do entretenimento: a família Jackson. Recebam Prince Jackson e Taj Jackson! Vamos fazer barulho! É um momento muito especial para mim, porque isso aqui é em 3D! Prince, naquela época você era um bebê, nem conhecia o tio Bill. Eu trabalhava na MTV. Você era pequenininho. E tive a oportunidade, como pouquíssimas pessoas, de entrevistar seu pai. E foi uma entrevista incrível! Michael Jackson, caso alguém não saiba, é o artista com algumas das maiores vendas de discos da história. Os discos continuam vendendo até hoje. Uma lenda, o Rei do Pop. Acho que foi em 1996, na época de HIStory. Michael Jackson foi o primeiro artista a estrear um videoclipe simultaneamente em todas as emissoras. Ninguém tinha feito aquilo antes. E fui eu quem apresentou ao mundo! Eu, magrinho daquele jeito, em plena Times Square, com o coração disparado! Cara, vocês precisam entender: sou fã da família de vocês desde sempre. Eu sentia que a família de vocês era como a minha. Pensava: “Nossa, parecem ser pessoas muito legais”. Nunca tinha ido a Gary, Indiana. Cresci em Nova Jersey e nem imaginava que entraria para o entretenimento. Quando virei comediante e depois apresentador, entrevistei Janet e apresentei o 3T. Conheço praticamente a família inteira! É muito talento! Vou deixar vocês falarem. Passei a noite pensando: como é crescer sendo um Jackson? É só churrasco? Vocês se divertem todo dia? Tem tanto primo que nem dá para acompanhar? Como é crescer nessa família?

Prince Jackson: É um pouco de tudo isso que você falou. Estamos praticamente conhecendo primos novos todos os dias. Aí perguntamos: “Mas qual é o nosso parentesco?”. A pessoa explica e pensamos: “Ah, então somos primos!”. Tem churrascos, muitos encontros de família em Hayvenhurst, mas também muita responsabilidade. É um legado e uma marca que todo mundo trabalhou muito para construir. E certamente não queremos ser a geração que vai deixar isso cair. Queremos dar continuidade, fazer crescer e manter essa história viva.

Bill Bellamy: É uma história realmente histórica. Quando você pensa na família Jackson e no que Joe conseguiu fazer com os filhos, incentivando todos a serem excelentes... O Jackson 5 parece ter surgido do nada. Mas a história é muito rica: uma família, uma pequena família... Não!  Uma grande família, numa casa pequena! Eles batalharam e realizaram um sonho. E vocês são os frutos desse sonho, o que é lindo. Sempre digo que as pessoas não entendem: Joe Jackson deveria ser considerado o pai do século! Porque ter um filho talentoso já é uma sorte. Talvez um primo seja mais inteligente, sabe? Mas ter uma família inteira talentosa, como se estivesse no DNA, significa que existe alguma coisa especial ali. Vocês sentiam isso enquanto cresciam?

Prince Jackson: Com certeza! Cem por cento! Acho que todos nós podemos reconhecer a disciplina e a ética de trabalho que foram ensinadas ao meu pai, ao meu tio, ao pai dele e a todos os nossos tios e tias desde pequenos. Isso foi passando de geração em geração, por meio das experiências deles e dos resultados que a determinação e a dedicação trouxeram. Como aprenderam isso, transmitiram aos filhos, à nossa geração. Muito disso é talento, não quero tirar o mérito de ninguém. Mas muito também é dedicação.

Bill Bellamy: Se eu fosse um Jackson, sentiria uma pressão enorme se não soubesse cantar! Todo mundo tem vozeirão, e eu ia dizer: “Não quero cantar, vou tocar os pratos da bateria!”. Porque muita gente nessa família manda muito bem. Até do lado das mulheres: se você é sobrinha da Janet, suas tias também são talentosas. Não tem como fugir do talento! Todo mundo dança, canta, tem músicos e criativos. Vocês mesmos fizeram isso com o 3T. Muita gente hoje não conhece o 3T. Conta como vocês formaram o grupo.

Taj Jackson: Basicamente, observando nossos tios. E meu pai, claro. Acho que foi durante a turnê de 1979 ou 1980. Vimos aquela plateia gritando e pensamos: “É isso que queremos! É isso!”. TJ ainda usava fraldas, literalmente. Pegávamos esfregões e vassouras e fingíamos cantar, dublando o álbum ao vivo dos Jacksons. Meu pai dizia: “Muito bom, mas vocês precisam cantar de verdade”. Então trabalhamos muito as harmonias vocais. Foi uma das primeiras coisas que aprendemos, antes da dança. É por isso que o 3T não dança tão bem! Trabalhamos mais o canto do que a dança. Começamos quando eu tinha uns oito anos e só lançamos o grupo quando eu tinha dezoito. Foram dez anos de trabalho. As pessoas não percebem isso. Acham que simplesmente abriram uma porta e nós entramos. Mas trabalhamos uns dez anos. Depois da escola, minha mãe era quem cobrava. Ela fazia o papel do Joe, pegava pesado: “Vocês vão aprender isso. Não vou facilitar”.

Michael Jackson e os 40 anos de Thriller

Bill Bellamy: O que mais admiro na família Jackson é esse espírito de excelência. Tudo é levado a sério. Vocês não lançam nada se não estiver bom. Seu pai era meticuloso com cada som, cada voz de fundo, cada andamento. Nas poucas vezes em que convivi com Michael, era impressionante a capacidade que ele tinha de ouvir tudo. Ele estava em outro nível. Dizia: “Está ouvindo os beija-flores?”. E eu: “Hã?”. “Podemos colocar os beija-flores aí”. Eu ficava: “Como assim?”. Quando você vem de uma família assim, com um pai tão talentoso, pense nos artistas de hoje: eles só podem sonhar em deixar uma marca parecida. Não apenas como Rei do Pop, mas fazendo sucessos desde os sete ou oito anos até a vida adulta, sem parar. Isso é difícil! Se você lança uma música sendo um Jackson, tem que se preocupar com três mil tios opinando! “Calma, Tito, pega leve comigo! Jackie, me deixa respirar!”. Agora estamos chegando a algo monumental: os 40 anos de Thriller. Prince, naquela época você nem estava por aqui!

Prince Jackson: Eu nem era um pensamento!

Bill Bellamy: É, você nem estava pensando em vir ao mundo! Mas, para mim, Thriller foi um acontecimento gigantesco. Eu estava na faculdade, numa época em que ninguém fazia filmes como videoclipes. Isso nem existia! Ninguém tinha orçamento para aquilo. Michael Jackson fazia verdadeiros filmes, e eram produções enormes. Por exemplo, eu estava num evento de dança na Universidade Rutgers quando estrearam o clipe. Apagaram as luzes e pensamos: “O que vai acontecer?”. “Cara, não tem lobos nesse negócio?”. Ninguém estava preparado, não deram aviso nenhum. Quando o vídeo começou, as pessoas gritaram! Só se ouvia: “Meu Deus!”. E depois começamos a fazer a coreografia. Cara, foi esse o impacto! Quarenta anos depois, continua tão forte. Como você se sente com isso?

Prince Jackson: Muito orgulhoso. Muito orgulhoso. Como você disse, meu pai dedicava muito tempo e esforço e era extremamente cuidadoso com cada detalhe. Pelas histórias que ouvi de familiares e das pessoas que trabalharam com ele, sei quanto ele colocou de si naquela criação. Então ver o legado dele continuar tão forte quanto quando foi lançado é realmente...

Bill Bellamy: É inacreditável! Desde a música até a produção do clipe, as cores, os personagens, Vincent Price... Muita gente nem sabe quem ele é. É aquela voz lendária do narrador assustador! Eu queria que ele gravasse a mensagem da minha secretária eletrônica: “Você ligou para Bill, mas ele não está aqui”. Gostei dessa! Sempre achei a voz do Vincent Price sensacional. Há quarenta anos aconteceu esse momento dominante da história da música e ele continua vivo. O que vamos fazer no aniversário de quarenta anos? Vocês têm alguma coisa planejada!

Prince Jackson: Temos, sim! Vamos falar disso.

Taj Jackson: Com certeza. Para mim, uma das maiores injustiças é que a música “Thriller” nunca chegou ao primeiro lugar das paradas. O máximo foi a quarta posição. É o hino do Halloween, e só chegou ao quarto lugar! Mas isso também aconteceu porque, naquela altura, todo mundo já tinha o álbum.

Bill Bellamy: Mas ainda dá para colocá-la no primeiro lugar! Vamos fazer o seguinte: vamos realizar isso. Vamos dar ao Michael Jackson mais um sucesso número um! O álbum Thriller vendeu mais de 70 milhões de cópias no mundo, certo?

Prince Jackson: Cem.

Bill Bellamy: Ah, foi mal!

Prince Jackson: Mais de cem.

Bill Bellamy: Tenho que atualizar meus números! Cem milhões, desculpa! Mais de cem milhões no mundo e continua vendendo. Mas temos uma missão: fazer da música “Thriller” um número um. É perfeitamente possível.

Halloween, Thriller Nights e a história de Hayvenhurst

Taj Jackson: Especialmente na época do Halloween.

Bill Bellamy: Sim, porque o Halloween continua sendo uma festa maravilhosa e misteriosa, que envolve as pessoas. Não sei vocês, mas eu ainda me fantasio!

Taj Jackson: Sim! Eu também!

Bill Bellamy: Não sei você, Prince, mas acho que meu Halloween é mais elaborado que o seu! Meus filhos dizem: “Pai, você está exagerando! Você não é o Jimi Hendrix!”. Eu realmente entrava no personagem: me vestia, falava como ele, virava aquela pessoa por uma noite. Começou quando meus filhos eram pequenos. Eu e minha esposa saíamos para pedir doces com eles vestidos de Batman e Batgirl. Agora eles dizem: “Pai, vai para uma festa de adultos! Você está passando vergonha me seguindo. Deixa eu ir na frente!”. Isso começou uns quatro anos atrás, quando tinham uns catorze anos. Fiquei constrangido! Hoje vou mais a festas de adultos. Meus filhos cresceram demais para isso. Soube que vocês vão fazer algo na propriedade, uma coisa incrível, e que vão doar toda a arrecadação para instituições beneficentes. Vamos falar dessas instituições.

Prince Jackson: Na verdade, fazemos esse evento há dez anos, oficialmente ou não. Começou como uma festa de família. Montamos um único cômodo, transformamos num labirinto assombrado e nossos primos e familiares passavam por ele. No ano seguinte, convidamos amigos da escola. No terceiro ano, ficou tão grande que percebemos que podíamos fazer algo maior. Nós nos preocupamos muito em retribuir à comunidade, especialmente quando começamos a gastar bastante dinheiro nessas coisas. Gastar tudo aquilo só numa festa de Halloween não parecia certo, não combinava com nossos valores. Acho que em 2015 ou 2016 começaram a se organizar como entidade sem fins lucrativos; em 2016 houve a formalização. Eu entrei na Loyola Marymount University em 2016 e, como estudante, ajudei a criar a organização estudantil de serviço comunitário Heal Los Angeles. Naquele ano, fizemos uma parceria e conseguimos usar o status de isenção fiscal da organização e da universidade para realizar a primeira edição do que hoje é o Thriller Nights. Este é o nosso sétimo ano realizando oficialmente o evento.

Bill Bellamy: Como a pessoa consegue entrar na lista do Thriller Nights? Parece tão exclusivo! “Você não vai ao Thriller Nights!”. Mas eu quero ir! Como funciona?

Prince Jackson: Antes, usávamos um formulário do Google. Quem tivesse interesse preenchia os dados e entrávamos em contato quando surgiam vagas ou ingressos. O espaço da propriedade é limitado.

Bill Bellamy: Não dá para levar todo mundo!

Prince Jackson: Exatamente. E também tentamos trazer de volta pessoas que fizeram parte da história daquele lugar. O Taj sabe muito mais disso do que eu, mas muita história da música aconteceu naquela casa. Meu pai escreveu e gravou muitas músicas de Off the Wall e Thriller no quarto dele e no estúdio, trabalhando com meus tios. Acho que o tio Tito tocou guitarra antes de...

Taj Jackson: David Williams?

Prince Jackson: Não, não, em “Beat It”.

Taj Jackson: Ah, Eddie Van Halen!

Prince Jackson: Isso! Eles gravaram tudo aquilo no estúdio da propriedade.

Taj Jackson: Muita história.

Prince Jackson: Por isso tentamos trazer quem participou. Sugarfoot Moffett vem este ano. Greg Phillinganes também.

Bill Bellamy: É como reunir a turma de novo! Muito legal. E seu pai, Tito, é músico de verdade, dos melhores! Se você não soubesse que ele é um Jackson, ainda assim diria que é um músico incrível. Você também toca algum instrumento?

Taj Jackson: De todos os integrantes do 3T, você foi perguntar justamente para mim, o que não toca instrumento! Quer dizer, toco teclado. Toquei a vida toda, mas nunca peguei numa guitarra como meu pai, Tito Jackson. Sempre digo que ele foi aquele que desobedeceu ao Joe. Quando Joe saía para trabalhar, meu pai entrava escondido no armário dele, pegava a guitarra — que estava proibido de tocar — e tocava até que um dia arrebentou uma corda e não soube consertar. Joe descobriu por causa disso e deu uma surra nele. Depois disse: “Mostre o que você sabe fazer”. Meu pai tocou com toda a alma, e foi aí que Joe percebeu: “Temos alguma coisa aqui!”.

A história de “Who’s Loving You” e as lembranças de Bill

Bill Bellamy: Cara, vou contar uma história maravilhosa! Dizem que Bill Bellamy tem as melhores histórias de Hollywood, então esta é sobre seu pai. Michael devia ter oito ou nove anos. Stevie Wonder e Smokey Robinson estavam nos estúdios da Motown. Todo mundo gravava nos estúdios A, B e C. Smokey compunha muitas músicas, e eles decidiam: “Talvez esta seja para os Temptations, aquela para Smokey”. Estou até arrepiado! Os Jacksons estavam num dos estúdios e havia uma música chamada “Who's Loving You?”. Inicialmente, seria para Stevie Wonder. Ele sabia compor, cantar, tudo. Não lembro quem sugeriu deixar Michael tentar. Smokey disse: “Não sei se Michael Jackson consegue cantar isso. Ele é uma criança! Essa música fala de coração partido, tem muita dor e sentimento”. Uma mulher respondeu: “Deixem Michael tentar”. Michael entrou com oito anos, olhou a música, leu algumas vezes e cantou. Uma tomada! Todo mundo saiu correndo dos outros estúdios: “Meu Deus! Como uma criança de oito anos canta como um homem adulto?”. Essa é a história que contam sobre a gravação. Não é incrível?

Prince Jackson: É uma história maravilhosa.

Bill Bellamy: O próprio Smokey Robinson me contou. Ele disse que Michael parecia ser de outro planeta. Ver aquela criança cantando era impressionante, porque não era preciso dizer cada nota que ele deveria cantar. Ele cantava do jeito que sentia, aos oito anos! Eu nem sabia o que era ter o coração partido nessa idade. Você sabia?

Prince Jackson: Não.

Bill Bellamy: Aos oito, não!

Taj Jackson: Aos oito, não.

Bill Bellamy: Talvez aos catorze ou quinze. Queria compartilhar isso com vocês. (...) Trabalhar no entretenimento tem muitos lados maravilhosos, mas também existem momentos difíceis e perdas, como todos nós sabemos. Recentemente perdi meu pai. Quando entrei nesse meio, achava que, ao virar uma estrela, todos os dias seriam sábado! A gente não percebe que há momentos difíceis que o público não vê e com os quais ainda precisamos lidar. Prince, você teve que descobrir, ainda criança, como se reerguer e seguir seu próprio caminho. Eu vi você crescer, cara. Me sinto seu tio também! Lembro de algumas vezes em que te vi pequeno e você não sabia quem eu era. Devia pensar: “Quem é esse cara? Quem é esse homem falando comigo? Tira ele daqui!”. Eu fazia muita coisa beneficente com seu pai. Ele me convidava, eu apresentava eventos e participava. Fiquei muito próximo da família. Tive e ainda tenho uma ótima relação com Janet. Participei da turnê The Velvet Rope. Ela me levou para minha primeira grande turnê! Abrir os shows dela como comediante foi uma loucura! Isso vai estar no meu livro. Eu nem conhecia Worcester, perto de Boston. O ginásio estava lotado. Um dos grupos desistiu e sua tia me ligou: “Bill, quer fazer comédia?”. Respondi: “Claro que quero!”. Ela disse: “Temos uns 25 dias”. O quê?! E fui para a estrada com ela. Foi incrível. Há vários vídeos no YouTube das cidades por onde passamos. Até comemorei meu aniversário durante a turnê. Minha ligação com a família é muito sincera. Amo vocês. Quero saber como você conseguiu lidar com tudo isso, especialmente agora que as redes sociais fazem tanta parte da vida. Você conseguiu preservar sua privacidade, o que é maravilhoso. Foi intencional?

Privacidade, redes sociais e o talento musical de Prince

Prince Jackson: Eu, pessoalmente?

Bill Bellamy: Sim.

Prince Jackson: Até certo ponto, sim. Meu irmão é muito bom nisso. Ele não tem rede social nenhuma, então ninguém consegue encontrá-lo.

Bill Bellamy: Zero!

Prince Jackson: É!

Bill Bellamy: Ele é ótimo nisso.

Prince Jackson: Acho que você precisa separar as coisas de propósito. Para mim, o Instagram é uma maneira de me conectar com as pessoas. Mas meu celular, mensagens, ligações e encontros cara a cara são outra coisa. Jogo videogame com o Taj praticamente todas as noites. Essa é uma forma mais pessoal e íntima de manter contato. Você precisa controlar o que compartilha com os outros e o que guarda para si.

Bill Bellamy: Sim, acho que vocês fizeram isso muito bem: protegeram a privacidade e deixaram o público ver apenas o que escolheram mostrar. Muitas celebridades acabam entregando tudo e depois a situação sai do controle. É difícil achar o equilíbrio. Com a história e o legado da família de vocês, há muita coisa em jogo. Ninguém quer cometer um deslize. Somos humanos, claro, mas vocês não querem se envolver em confusão. Vocês tipo: "Vamos fazer isso pelo meu pai. Vamos fazer isso como uma forma de lidar com o luto. Vamos fazer coisas que realmente tenham um propósito".

Prince Jackson: Isso, exatamente.

Bill Bellamy: Você se imagina fazendo música, Prince? Quer seguir por esse caminho?

Prince Jackson: Na verdade, não. Sempre conto esta história: quando eu tinha uns seis anos, meu pai tentou me ensinar ritmo, e a reação dele foi... [faz uma expressão de negação].

Bill Bellamy: [Risos.]

Prince Jackson: Foi isso! Então pensei: “Tá bom, acho que música não é para mim”. E algumas pessoas já me disseram que eu nunca deveria cantar, então...

Bill Bellamy: É pressão demais!

Prince Jackson: É, demais.

O significado de “Wanna Be Startin’ Somethin’” e a experiência Thriller Nights

Bill Bellamy: Prince, tenho uma pergunta engraçada que sempre quis fazer. Alguém pode me explicar o significado de “mama say, mama sa, mama coo sa”?

Prince Jackson: Olha, eu já soube, na verdade.

Bill Bellamy: Eu só canto, mas não sei o que significa!

Taj Jackson: Eu deveria saber.

Prince Jackson: Sei que é algo de um dialeto africano, ou alguma coisa assim...

Bill Bellamy: Isso! É só o que sabemos. Droga!

Prince Jackson: Já está perto, né?

Bill Bellamy: Passei a vida querendo saber! Que diabos significa isso? Bom, outra pergunta: no Thriller Nights, a casa vai estar cheia de monstros, fantasmas e pessoas fantasiadas? Vai ter personagens de Thriller de verdade?

Prince Jackson: Sim! São os quarenta anos de Thriller, então queremos trazer aquela nostalgia, tocar os sucessos da época. Contratamos um elenco inteiro de atores fantasiados de zumbis. Teremos um lobisomem, um Michael-gato e acho que um Michael zumbi. Eles vão circular pela propriedade, as pessoas poderão tirar fotos com eles, e haverá um labirinto completo.

Bill Bellamy: Vocês estão me deixando com inveja! Senhoras e senhores, rufem os tambores: basicamente, eles vão dar às pessoas a chance de entrar dentro de Thriller!

Prince Jackson: Exatamente!

Bill Bellamy: Eu provavelmente teria um ataque cardíaco! Lembro que eu e meu irmão chorávamos quando o vídeo passava. Ele morria de medo. Foi a primeira vez que vimos Michael se transformar em outra coisa! A gente não estava acostumado com aquilo. “Cadê o Michael? Tragam o Michael de volta!”. Achávamos que ele tinha virado um lobisomem de verdade! Os efeitos especiais estavam entrando numa nova era. Pensando agora, o clipe tinha tantas camadas: a filmagem, a coreografia... Quem criou aquela dança? Vocês lembram?

Taj Jackson: Nossa...

Prince Jackson: Que vergonha, a gente deveria saber!

Bill Bellamy: Vamos pesquisar! Quero saber. Muita gente tentou imitar aquela coreografia, copiar a formação, os movimentos. É uma dança longa, de uns quatro minutos. Michael Peters? Michael Peters! Acho que ele foi o coreógrafo principal de Thriller, certo? É provavelmente uma das coreografias mais reproduzidas de todos os tempos. Já vi tantas versões! “Olha, pegaram um pedacinho de Thriller!”. “Esse é o movimento de ombro de Thriller!”. Se você assistiu um milhão de vezes, como eu, percebe quantas pessoas se inspiraram nela e misturaram aquilo a outras coisas. Agora vem uma pergunta do quadro “Só Fatos”. Eu pergunto e vocês precisam falar a verdade. Se seu pai estivesse vivo hoje e tivesse que escolher três artistas que representassem seu talento no palco, quem seriam?

Artistas influenciados por Michael Jackson

Prince Jackson: Uau!

Taj Jackson: Pode começar.

Bill Bellamy: Eu já tenho três na cabeça!

Prince Jackson: Acho que diria Chris Brown, porque sei que meu pai o conhecia pessoalmente e, em casa, sempre admirava a técnica de dança e o estilo dele. Com certeza colocaria Chris Brown na lista. Quer escolher o segundo enquanto penso no terceiro?

Taj Jackson: Sim, é aquela linha Chris Brown e Usher.

Prince Jackson: Isso.

Bill Bellamy: Dois! Beleza. Falta um. Pode ser da velha ou da nova geração.

Taj Jackson: Ah, pode ser da velha guarda?

Bill Bellamy: Sim! Vocês já falaram dois dos meus. Ainda tenho um na cabeça.

Prince Jackson: Estamos falando só de dança? Não de música...

Bill Bellamy: Estou falando de artista completo, de entretenimento. Chris Brown é o exemplo perfeito de alguém que dança e canta. Alguns cantam melhor do que dançam, mas Usher e Chris Brown fazem as duas coisas muito bem. Preciso de mais um! Não tenta escapar!

Bill Bellamy: Tenho um nome que vai surpreender vocês!

Taj Jackson: Precisa estar vivo atualmente?

Bill Bellamy: Pode ser antigo ou novo. Tenho um que acho muito bom e sei que foi influenciado por Michael Jackson.

Taj Jackson: Quem?

Bill Bellamy: Preparados? Justin Timberlake!

Prince Jackson: Esse aí...

Bill Bellamy: Estou falando de gente que estudou Michael Jackson!

Prince Jackson: Só sei que ele tem recebido muitas críticas ultimamente por causa da dança. Fez uns movimentos que o pessoal não curtiu.

Bill Bellamy: Estão acabando com ele! O que o JT fez de errado?

Prince Jackson: Ele tentou fazer uma coisa no TikTok...

Bill Bellamy: O que ele fez? Nem sei! Hoje você faz um movimento errado no TikTok e acabou. Esquece os cem milhões de discos vendidos! Outro dia vi a Britney Spears fazendo alguma coisa e pensei: “O que está acontecendo?”. Mas é a Britney, vendeu discos para caramba. Tudo bem! Voltando ao Thriller Nights e aos quarenta anos de Thriller: a lista de convidados é limitada. Como as pessoas podem entrar em contato para fazer doações?

Doações, Heal Los Angeles e Chris Tucker

Prince Jackson: Podem acessar nossos Instagrams ou os sites que estão nos links das biografias. É a melhor forma. Às vezes fazemos campanhas de arrecadação ao vivo no Instagram e temos vários embaixadores.

Bill Bellamy: Preciso seguir vocês para acompanhar tudo!

Prince Jackson: Você vai ver muito conteúdo legal dos quarenta anos de Thriller.

Bill Bellamy: Dá uma prévia! Infelizmente vou estar trabalhando quando acontecer, acho que em Atlanta. Como posso ver alguns trechos? Vocês vão mostrar alguma coisa?

Prince Jackson: Claro! Temos um vídeo de retrospectiva muito bom no nosso site. Se entrar em heallafdn.com e abrir a página de eventos, tem um vídeo de uns cinco minutos com apresentações do Chris Tucker, uma passagem pelo labirinto e a festa inteira. É muito legal.

Bill Bellamy: Chris Tucker me deixava morrendo de inveja naquela época, porque estava sempre com Mike! Ele dizia: “Cara, vou sair com o Mike. Não tenho tempo para vocês!”. E eu: “Você está andando com o Mike assim?!”. Quando me mudei para Los Angeles, Chris era meu vizinho. Ele sempre me contava histórias engraçadíssimas, porque é muito divertido. Perto de Chris Tucker, você não para de rir. Ele falava das viagens e de tudo o que fazia, e eu pensava: “Que diversão!”. Isso me lembra vocês: existe uma curiosidade enorme sobre crescer numa família famosa. Pouquíssimas pessoas têm uma família tão conhecida e talentosa, e vocês cresceram cercados de tios, tias e shows. Em qual show ir este ano? Vocês viajaram pelo mundo desde muito pequenos. Lembram dos lugares incríveis que conheceram? Qual era seu lugar favorito para viajar com seu pai quando era criança?

Viagens com Michael Jackson e a vida longe dos holofotes

Prince Jackson: Na verdade, conforme fui crescendo, percebi que viajar com Michael Jackson não era como as pessoas normais viajavam. Conheci lugares incríveis pelo mundo, mas vi tudo do jeito que Michael Jackson via. Se voltasse hoje, não seria a mesma experiência.

Bill Bellamy: Verdade! Posso contar uma história engraçada?

Prince Jackson: Claro!

Bill Bellamy: Olha, eu também tenho meu dinheiro, tá? Já fiquei em algumas suítes de hotéis onde me disseram que seu pai tinha se hospedado. Eram absurdas de tão luxuosas! Só que eu aluguei a suíte. Disseram que ele reservava o andar inteiro! Eu falei: “Não tenho dinheiro para isso!”. Por catorze dias?! Eu me achando rico porque estava na mesma suíte de Michael Jackson! E o pessoal: “Não, parceiro, precisa reservar este andar e o de baixo. E ninguém sobe aqui!”. Eu fiquei impressionado! É verdade! Quando entrevistei Michael Jackson, lembro da equipe de segurança entrando com tanta força que pensei ter feito alguma coisa errada. Parecia que estavam fechando o lugar inteiro. Aí, de repente, ele apareceu: “Oi!”. Eu pensei: “Ele saiu de dentro do chão?!”. Nunca tinha estado perto de alguém tão famoso, alguém que não podia ir a lugar nenhum normalmente. Outro exemplo é meu amigo Shaquille O'Neal. Fui com ele à Disney World logo depois de ser escolhido pelo Orlando Magic. Era a maior celebridade da história de Orlando, tirando o Mickey Mouse! Tinha gente pendurada nele, todo mundo querendo foto, e ele tentava atender a todos. Era sufocante! Não conseguíamos tomar um refrigerante nem comer um cachorro-quente. Pessoas vinham de todos os lados, em multidões. Eu disse: “Cara, você é famoso de verdade!”. E ele: “Eu sei!”. Era uma loucura. Então entendo quando você diz que, quando criança, precisava viajar de um jeito diferente.

Prince Jackson: Sim, ainda estou tentando entender isso, porque hoje levo uma vida relativamente normal. Por exemplo, eu estava voltando de férias num avião. Comi alguma coisa que me fez muito mal e passei o voo inteiro vomitando, com saquinho e tudo. Uma moça na minha frente, enquanto eu vomitava, perguntou: “Com licença, qual é seu nome?”. Respondi: “Mike”. Meu nome de verdade é Michael, então uso Mike para ninguém perceber. Ela disse: “Você se parece muito com o filho do Michael Jackson!”. E eu, vomitando: “Ah, ouço muito isso!”. Ela continuou: “Eu ia perguntar o que você está fazendo na classe econômica!”. Então é esse equilíbrio que a gente tenta encontrar.

Bill Bellamy: Porque eu quero viajar assim! (Rs)

Prince Jackson: É! A primeira classe estava cara, gente! Não vou reservar o andar inteiro! (Rs)

Bill Bellamy: O andar inteiro! Mas era isso que eu queria que as pessoas vissem em vocês: são pessoas normais e boas. Vêm de uma família extraordinária, mas vivem de maneira correta e com propósito. Isso é bonito. Gosto de ver isso nos jovens que estão chegando. Queria que vocês viessem mostrar o que fazem, suas causas, suas instituições e como se importam com as pessoas. O público quase não ouve essas coisas, só quer falar das negativas. Vocês se importam de verdade. E você ainda vai tocar um instrumento, Prince! Vou te colocar no teclado, na guitarra, alguma coisa! Quero agradecer por terem vindo. Como o público pode acompanhar vocês? Digam as redes sociais, se quiserem.

Redes sociais e os músicos da família Jackson

Prince Jackson: A minha é meu nome, Prince Jackson, no Instagram. Tenho Twitter, mas já perdi a senha tantas vezes que desisti!

Bill Bellamy: Parou de tuitar! É importante demais para isso!

Prince Jackson: Exatamente! Me encontrem no Instagram. A Heal Los Angeles Foundation também está no Instagram, Twitter e Facebook. Acho que são todas as minhas redes.

Bill Bellamy: Posso fazer mais uma pergunta do “Só Fatos”? Essa é engraçada! De todas as suas tias, qual canta melhor? Vou colocar vocês contra a parede!

Prince Jackson: Uau...

Taj Jackson: Mas em qual estilo?

Bill Bellamy: Ah, agora temos estilos?

Prince Jackson: Sim!

Bill Bellamy: Então vamos lá, quais estilos?

Taj Jackson: Rebbie canta blues muito bem.

Bill Bellamy: Então é a melhor no blues! Próxima!

Taj Jackson: Nossa... Janet é mais pop e R&B. E uma das minhas músicas favoritas é “The Heart Don't Lie”, que minha tia La Toya canta. Ela é um talento escondido que acho que não recebe reconhecimento suficiente.

Bill Bellamy: Estão vendo? Quem pode dizer que tem três tias que cantam? Eu não tenho nem um primo que saiba cantar! Vocês têm três tias, além dos irmãos e tios! Meu Deus! Agora vamos à próxima, e você não pode escolher seu pai: de todos os seus tios, tirando seu pai, qual é o melhor músico?

Taj Jackson: É literalmente um empate entre Jermaine e Randy. Randy toca mais instrumentos, é extremamente versátil. Mas nunca vi um baixista como Jermaine. Sabe como é difícil cantar e tocar baixo ao mesmo tempo? Ele fazia isso aos catorze anos! Tocava aquelas linhas de baixo típicas da Motown, ao vivo, com catorze anos. Ao vivo, cantando! Não podia errar. Estavam na televisão, no Ed Sullivan! Só isso já é impressionante.

Bill Bellamy: Prince, tem certeza de que não quer essa pressão?

Prince Jackson: Não, não! Preciso me retirar dessa conversa!

Bill Bellamy: Então vai andar de patins! Nem tenta entrar nessa! É pressão demais. Patinação, talvez pesca em alto-mar... Senhoras e senhores, uma salva de palmas para Taj Jackson e Prince Jackson aqui no Top Billin'!

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