Entrevista Rolling Stones traduzida: Paris quebra o silêncio
Numa tarde de quinta-feira no final de novembro, Paris percorre os corredores do Museum of Death, um labirinto apertado e macabro na Hollywood Boulevard, impregnado com cheiro de formol. Não é incomum que visitantes, diante de fotos de decapitações, filmes snuff e objetos ligados a serial killers, passem mal ou até desmaiem.
Mas Paris, que não faz tanto tempo deixou para trás suas fases emo e gótica da adolescência, parece encontrar um estranho conforto em tudo aquilo. Aquela já é sua nona visita ao museu. “É incrível”, ela tinha dito no caminho até lá. “Eles têm uma cadeira elétrica de verdade e uma cabeça de verdade!”
Paris Jackson completou 18 anos em abril e, dependendo do momento, pode parecer muito mais velha ou muito mais nova. Afinal, viveu uma vida dividida entre a superproteção e uma exposição pública dolorosa demais para alguém tão jovem. Ela é uma filha legítima do século 21, com seu estilo meio hippie, meio punk (naquele dia usava uma camisa tie-dye, jegging e Converse de cano alto) e gostos musicais sem nenhuma barreira. Já escreveu letras de Mötley Crüe e Arctic Monkeys nos próprios tênis, é obcecada por Alice Cooper, a quem chama de “bae”, e pelo cantor e compositor Butch Walker. Também ama Nirvana e Justin Bieber. Mas, mais do que tudo, ela é muito parecida com o pai. "No geral, como pessoa, ela é como meu pai”, diz o irmão mais velho, Prince Michael Jackson. “A única diferença é a idade e o fato de ela ser mulher.” Segundo ele, Paris se parece com Michael “em praticamente todas as qualidades — e também em quase todos os defeitos. Ela é muito intensa. Muito emocional, a ponto de às vezes deixar os sentimentos influenciarem o julgamento.”
Mas, na verdade, não cura. Você só aprende a conviver com isso. Eu vivo com a mentalidade de: ‘ok, perdi a única coisa que realmente foi importante pra mim’. Então, daqui pra frente, qualquer coisa ruim que aconteça nunca vai ser tão ruim quanto aquilo foi. Por isso, eu consigo lidar.” Ela diz que Michael Jackson ainda aparece em seus sonhos. “Eu sinto ele comigo o tempo todo.”
Michael, que se via como Peter Pan, gostava de chamar a única filha de Tinker Bell ("Sininho"). Perto da clavícula, Paris tatuou as palavras “FAITH, TRUST AND PIXIE DUST” (“fé, confiança e pó de fada”). No antebraço, ela tem uma imagem da capa do álbum Dangerous; na mão, o logo de Bad; e, na parte interna do pulso esquerdo, a frase QUEEN OF MY HEART ("rainha do meu coração"), escrita com a letra do pai, tirada de uma carta que ele escreveu para ela. “Ele só me trouxe felicidade”, diz Paris. “Então por que eu não teria lembretes constantes disso?”
Ela também tem tatuagens em homenagem a John Lennon, David Bowie e Prince, que já foi visto como rival de Michael, além de referências a Van Halen e Mötley Crüe. Na parte interna do lábio, ela tatuou a palavra “MÖTLEY” (o namorado tatuou “CRÜE” no mesmo lugar). No pulso direito, Paris usa uma pulseirinha que Michael comprou na África. Ele estava usando a pulseira quando morreu, e a babá de Paris a recuperou para ela. “Ainda tem o cheiro dele”, diz Paris.
Ela encara cada atração do museu com seus enormes olhos azul-esverdeados, sem demonstrar reação, até chegar a uma seção com animais empalhados. “Desse cômodo eu não gosto muito”, diz, franzindo o nariz. “Com animais eu traço o limite. Não consigo lidar com isso. Parte meu coração.” Recentemente, ela adotou Koa, um filhote hiperativo mestiço de pit bull, que vive numa convivência meio complicada com Kenya, uma carinhosa labradora que o pai trouxe para casa há mais de dez anos.
Paris se descreve como alguém “dessensibilizada” até mesmo diante das imagens mais pesadas relacionadas à morte. Em 2013, mergulhada em uma depressão e lutando contra o vício em drogas, ela tentou tirar a própria vida aos 15 anos. “Era puro ódio de mim mesma”, conta. “Baixa autoestima, a sensação de que eu não conseguia fazer nada direito, de que não merecia mais estar viva. Ela também revelou que praticava automutilação e conseguia esconder isso da família. Algumas das tatuagens hoje cobrem cicatrizes desse período, além de marcas que, segundo ela, ficaram do uso de drogas. Antes disso, ela afirma já ter tentado suicídio outras vezes. “Só teve uma vez que acabou vindo a público”, diz, soltando uma risada deslocada da gravidade do assunto. Ela lembra que o hospital seguia uma espécie de “regra das três chances” e que, depois da última tentativa, insistiu para que ela participasse de um programa residencial de tratamento terapêutico.
Antes da morte do pai, Paris estudava em casa. Depois, concordou em começar a frequentar uma escola particular a partir da sétima série. Mas ela conta que não se encaixou ali nem um pouco e acabou se aproximando das únicas pessoas que a aceitavam - “um monte de gente mais velha fazendo um monte de coisas malucas”, como descreve. “Eu fazia muitas coisas que alguém de 13, 14, 15 anos não deveria fazer. Tentei crescer rápido demais e, sinceramente, eu não era uma pessoa muito legal naquela época.” Paris também sofreu cyberbullying e diz que ainda enfrenta comentários cruéis na internet. “Essa coisa toda de liberdade de expressão é ótima”, afirma. “Mas acho que os Pais Fundadores não imaginavam a existência das redes sociais quando criaram todas aquelas emendas e tudo mais.”
Houve outro trauma que ela nunca mencionou em público. Quando ela tinha 14 anos, um "completo estranho" muito mais velho a violou sexualmente, ela diz. "Eu não quero dar muitos detalhes, mas não foi uma boa experiência e foi muito difícil para mim e, na época, eu não contei a ninguém".
Depois da última tentativa de suicídio, Paris Jackson passou o segundo ano do ensino médio e metade do terceiro em uma escola terapêutica em Utah. “Foi muito bom para mim”, diz. “Hoje sou uma pessoa completamente diferente.” Antes disso, conta com um leve sorriso, “eu estava fora de controle. De verdade. Estava passando por muita angústia adolescente e também lidando com depressão e ansiedade sem nenhum tipo de ajuda.” Segundo Paris, Michael Jackson também enfrentava depressão, e ela chegou a tomar os mesmos antidepressivos que o pai usava. Atualmente, porém, diz que não toma mais medicação psiquiátrica.
Hoje sóbria e mais feliz do que nunca, tendo os cigarros mentolados como seu principal e talvez único vício restante, ela se mudou da casa da avó, Katherine Jackson, pouco depois de completar 18 anos, indo morar na antiga propriedade da família Jackson.
Ela passa praticamente todos os momentos do dia ao lado do namorado, Michael Snoddy, baterista de 26 anos do grupo de percussão Street Drum Corps. Natural da Virgínia, ele tem moicano descolorido, tatuagens e as calças sempre caídas. mas a aparência rebelde não esconde um jeito doce e quase juvenil. “Nunca conheci ninguém que me fizesse sentir da mesma forma que a música me faz sentir”, diz Paris. Quando os dois se conheceram, Michael tinha uma tatuagem da bandeira confederada, que depois foi coberta. algo que naturalmente gerou desconforto entre os Jacksons. “Mas, quanto mais eu fui conhecendo ele de verdade”, diz Prince, “mais percebi que ele é um cara muito legal.”
Paris até tentou fazer faculdade comunitária por um curto período depois de terminar o ensino médio - um ano antes do previsto - em 2015, mas percebeu rapidamente que aquilo não era para ela. Paris é herdeira de uma fortuna gigantesca: o Michael Jackson Family Trust provavelmente vale mais de 1 bilhão de dólares, com o dinheiro sendo liberado aos filhos em etapas ao longo dos anos. Mas ela quer ganhar o próprio dinheiro e, agora que é oficialmente adulta, também assumir a outra herança que recebeu: a fama.
E, no fim das contas, sendo a filha carismática e bonita de um dos homens mais famosos que o mundo já conheceu, que escolha ela realmente tinha? Paris é, por enquanto, modelo, atriz e alguém ainda tentando descobrir o próprio caminho. Quando quer, consegue transmitir uma postura quase majestosa - até intimidadora - mas, ao mesmo tempo, mantém um jeito tranquilo o bastante para virar amiga do tatuador de barbona e corpo coberto de tinta. Ela tem modos impecáveis, dá para perceber que foi muito bem criada. Recentemente, encantou tanto o produtor e diretor Lee Daniels durante um encontro que ele começou a conversar com o empresário dela sobre a possibilidade de um papel na série Star, da Fox. Paris toca alguns instrumentos, escreve e canta músicas próprias — chegou até a tocar algumas no violão durante a entrevista, e elas demonstram potencial, embora lembrem mais o estilo de Laura Marling do que o de Michael Jackson. Ainda assim, ela não sabe se algum dia vai querer seguir carreira na música oficialmente.
Ser modelo, em especial, parece algo natural e ela diz que isso também funciona como uma forma de terapia. “Passei muitos anos lidando com problemas de autoestima”, conta Paris, que hoje entende melhor as escolhas de Michael em relação às cirurgias plásticas depois de crescer vendo pessoas na internet analisarem e criticarem sua aparência desde os 12 anos. “Tem muita gente que me acha feia, e muita gente que não acha. Mas existe um momento, quando estou fotografando como modelo, em que esqueço completamente dessas inseguranças e só foco no que o fotógrafo está pedindo. E aí eu me sinto bonita. Nesse sentido, acaba sendo algo até egoísta.”
Mas, acima de tudo, ela herdou do pai esse impulso de querer “salvar o mundo”. “Estou muito preocupada com a Grande Barreira de Corais”, diz. “Ela está morrendo. Na verdade, o planeta inteiro está. Coitada da Terra.” Para Paris, a fama é uma ferramenta para chamar atenção para causas em que acredita. “Eu nasci com essa plataforma”, afirma. “Vou desperdiçar isso e me esconder? Ou vou fazer essa voz crescer e usar tudo isso para algo mais importante?”
Seu pai não se importaria com isso. “Se você quiser ser maior do que eu, pode ser”, ele dizia para Paris. “Se não quiser seguir esse caminho também, tudo bem. Eu só quero que você seja feliz.”No momento, ela mora no estúdio particular onde Michael Jackson gravou a demo de “Beat It”. A casa principal em estilo Tudor do antigo complexo da família Jackson, no bairro de Encino, em Los Angeles, comprada por Joe Jackson em 1971 com parte dos primeiros royalties do The Jackson 5 na Motown e reformada por Michael nos anos 80 está vazia e passando por reformas. Já o estúdio, construído por Michael em um prédio de tijolos do outro lado do pátio, tem praticamente o tamanho de um bom apartamento em Manhattan, com cozinha e banheiro próprios. Paris transformou o espaço em algo com clima aconchegante, meio dormitório descolado, cheio de personalidade.
Os vestígios de seu pai estão por toda parte principalmente nas obras de arte que ele encomendou. Do lado de fora do estúdio, há um quadro em estilo Disney mostrando um castelo de desenho animado no topo de uma colina, com uma versão caricata de Michael em primeiro plano abraçando um garotinho loiro. A imagem traz a frase “Of Children, Castles & Kings”. Lá dentro, uma pintura ocupa uma parede inteira: outro Michael em versão cartoon aparece no canto segurando um livro verde chamado The Secret of Life, observando flores pela janela. No centro de cada flor há o rosto desenhado de uma garotinha de bochechas rosadas. A decoração escolhida por Paris, porém, segue uma vibe bem diferente. No banheiro, há uma foto de Kurt Cobain; na parede, um pôster do The Smashing Pumpkins; e, no notebook, adesivos de Against Me! e The NeverEnding Story. Tecidos psicodélicos estampam as paredes, há velas artificiais espalhadas pelo ambiente e discos de vinil de Alice Cooper e The Rolling Stones servem como decoração. Na cozinha, apoiado casualmente sobre um balcão, está um disco de platina emoldurado dedicado a Michael por Quincy Jones. “Encontrei no sótão”, diz Paris, casualmente.
Acima da garagem ao lado fica uma espécie de mini-museu que Michael Jackson criou como surpresa para a família, com paredes - e até o teto - cobertos por fotos da história deles. Michael costumava ensaiar passos de dança naquele espaço. Hoje, é lá que o namorado de Paris mantém sua bateria montada.
Seguimos para um restaurante de sushi ali perto, e Paris começa a falar sobre como era a vida em Neverland. Ela passou os primeiros sete anos de vida naquele mundo fantasioso de quase 11 km² criado pelo pai, com parque de diversões, zoológico e cinema próprios. (“Tudo o que eu nunca pude ter quando era criança”, Michael Jackson costumava dizer.) Naquela época, Paris nem sabia que o nome do pai era Michael - muito menos fazia ideia do tamanho da fama dele. “Eu achava que o nome dele era Dad, Daddy”, conta. “A gente realmente não sabia quem ele era. Mas ele era o nosso mundo. E nós éramos o mundo dele.” Paris diz que Capitão Fantástico (filme em que Viggo Mortensen interpreta um pai excêntrico tentando criar um refúgio utópico para os filhos) é “seu filme favorito de todos os tempos”.
A nossa vida era até bem normal. A gente tinha aula todos os dias e precisava se comportar. Se fôssemos bonzinhos, aí, a cada dois finais de semana mais ou menos, podíamos escolher entre ir ao cinema, ver os animais ou fazer alguma dessas coisas. Mas, se estivéssemos de castigo ou aprontássemos, não podíamos fazer nada disso.
Em seu livro de memórias lançado em 2011, Jermaine Jackson descreveu Michael Jackson como “um exemplo do que um pai deveria ser”. Segundo ele, Michael transmitiu aos filhos o mesmo amor que a mãe deles havia dado aos Jacksons e ofereceu um tipo de afeto paterno que o próprio pai da família nunca conseguiu demonstrar. “Michael era pai e mãe ao mesmo tempo”, escreveu.
Michael chegou a dar aos filhos a opção de frequentar uma escola comum, mas eles recusaram. “Quando você estuda em casa e seu pai - a pessoa que você mais ama no mundo - aparece no meio da aula, é tipo: ‘Perfeito, acabou a aula de hoje, vamos passar o dia com o Dad’”, conta Paris Jackson. “A gente pensava: ‘Pra que amigos? Temos você e o Disney Channel!’” Ela admite, rindo, que era “uma criança bem estranha”. O pai também a ensinou a cozinhar, principalmente comida típica afro-americana do sul dos Estados Unidos. “Ele cozinhava pra caramba”, diz Paris. “O frango frito dele era o melhor do mundo. Foi ele quem me ensinou a fazer torta de batata-doce.”
Naquele momento, Paris estava preparando quatro tortas, além de gumbo, para o Dia de Ação de Graças da avó, Katherine Jackson, comemorado um dia antes da data oficial por causa das crenças religiosas dela como Testemunha de Jeová.
Michael introduziu Paris a todos os gêneros concebíveis de música. “Meu pai trabalhou com o Van Halen, então eu passei a gostar de Van Halen”, conta. “Ele trabalhou com Slash, então comecei a ouvir Guns N' Roses. Foi ele quem me apresentou a Pyotr Ilyich Tchaikovsky, Claude Debussy, Earth, Wind & Fire, The Temptations, Tupac Shakur e Run-D.M.C..” Segundo ela, Michael sempre enfatizou a importância da tolerância. “Meu pai me criou em uma casa muito aberta”, diz. “Eu tinha oito anos e estava apaixonada por uma mulher que apareceu na capa de uma revista. Em vez de brigar comigo, como muitos pais homofóbicos fariam, ele tirava sarro, tipo: ‘Olha só, você arranjou uma namorada.’”
“O foco número um dele com a gente, além de nos amar, era educação”, continua Paris. “E ele não vinha com aquele papo de ‘ah, Cristóvão Colombo descobriu a América’. Ele falava: ‘Não. Ele massacrou os povos nativos.’” Será que Michael realmente falava desse jeito? “Ele tinha uma boca meio suja”, responde ela, rindo. “Falava palavrão pra caramba.” Ao mesmo tempo, segundo Paris, ele também era “muito tímido”.
Enquanto divide camarões empanados e um Clean Mean Salmon Roll, Paris Jackson aceita falar sobre o assunto pela primeira e, segundo ela, única vez. Ela poderia escolher a resposta mais simples e lógica, dizer que isso não importa e que, independentemente de qualquer coisa, Michael foi seu pai. É mais ou menos assim que pensa o irmão dela, Prince, que se define como alguém “mais racional” que Paris. “Sempre que alguém me pergunta isso, eu respondo: ‘Qual é o ponto? Que diferença faz?’”, diz Prince. “Especialmente para quem nem faz parte da minha vida. Como isso muda a sua vida? Porque a minha não muda em nada.”
Mas Paris não tem dúvidas de que Michael era seu pai biológico. Ela fala disso com uma convicção tão intensa que chega a ser comovente e, naquele momento, totalmente convincente. “Ele é meu pai”, afirma, encarando diretamente o entrevistador. “Sempre vai ser meu pai. Nunca deixou de ser e nunca vai deixar de ser. Pessoas que conviveram muito com ele dizem que enxergam ele em mim, e que isso chega a assustar". “Eu me considero negra”, continua Paris. Segundo ela, o pai olhava em seus olhos, apontava o dedo e dizia: “‘Você é negra. Tenha orgulho das suas raízes.’ E eu pensava: ‘Ok, ele é meu pai. Por que mentiria pra mim?’ Então eu simplesmente acredito no que ele me dizia. Porque, até onde eu sei, ele nunca mentiu pra mim.”
“A maioria das pessoas que não me conhece me vê como branca”, admite ela. “Tenho a pele clara e, principalmente depois que fiquei loira, pareço alguém nascida na Finlândia ou algo assim.” Ela ressalta que não é incomum pessoas mestiças terem uma aparência parecida com a dela e cita o ator Wentworth Miller, que tem pai negro e mãe branca, dizendo que os dois têm tom de pele e cor dos olhos semelhantes.
Durante a infância, Paris praticamente não teve contato com Debbie Rowe. “Quando eu era muito pequena, minha mãe simplesmente não existia pra mim”, relembra. Com o tempo, porém, ela percebeu que “um homem não pode dar à luz uma criança” e, por volta dos 10 anos, perguntou ao irmão, Prince: “A gente deve ter uma mãe, né?” Então decidiu perguntar ao pai. “E ele respondeu: ‘Sim.’ Aí eu perguntei: ‘Qual é o nome dela?’ E ele só disse: ‘Debbie.’ E eu fiquei tipo: ‘Ok, agora eu sei o nome.’” Depois da morte de Michael, Paris começou a pesquisar sobre a mãe na internet, e as duas passaram a se aproximar quando ela tinha 13 anos.
Depois do período de tratamento em Utah, Paris decidiu se reaproximar de Debbie Rowe.“Ela precisava de uma figura materna”, diz Prince, que prefere não comentar sobre sua própria relação - ou falta dela - com Debbie. (O empresário de Paris recusou o pedido para que Debbie concedesse entrevista, e ela também não respondeu ao contato da revista).
“Eu tive várias figuras maternas”, rebate Paris, citando a avó, babás e outras pessoas próximas. “Mas, quando minha mãe entrou na minha vida, já não era uma relação de ‘mamãe e filha’. É mais uma relação adulta.”
Paris diz enxergar muito de si mesma em Debbie, que recentemente terminou um tratamento de quimioterapia contra um câncer de mama. “Nós duas somos muito teimosas.” Ela também não sabe exatamente como Michael se sentia em relação a Debbie, mas acredita que Debbie era apaixonada por ele. Paris também tem certeza de que Michael amava Lisa Marie Presley, de quem se divorciou dois anos antes de seu nascimento. “No clipe de ‘You Are Not Alone’, dá pra ver o jeito que ele olhava pra ela. Ele era completamente apaixonado”, diz Paris, rindo com carinho.
Paris tinha cerca de nove anos quando percebeu que grande parte do mundo não enxergava o pai da mesma forma que ela. “Meu pai chorava comigo à noite”, conta, sentada ao balcão de uma cafeteria em Nova York, segurando uma colherzinha nas mãos. Nesse momento, Paris também começa a chorar. “Imagina ver um dos seus pais chorando por causa de um mundo que odeia ele por algo que ele não fez. Pra mim, ele era tudo. Era a única coisa que realmente importava. Então, ver o meu mundo inteiro sofrendo daquele jeito me fez começar a odiar o mundo pelo que faziam com ele. Eu pensava: ‘Como as pessoas conseguem ser tão cruéis?’” Ela faz uma pausa. “Desculpa… fiquei emocionada.”Imagina ver um dos seus pais chorando por causa de um mundo que odeia ele por algo que ele não fez. Pra mim, ele era tudo. ver o meu mundo inteiro sofrendo daquele jeito me fez começar a odiar o mundo pelo que faziam com ele. Eu pensava: ‘Como as pessoas conseguem ser tão cruéis?'
Paris e Prince não têm dúvidas de que o pai era inocente das acusações de abuso infantil feitas contra ele. Para os dois, o homem que conheceram em casa era o verdadeiro Michael Jackson. E eles falam disso de forma tão convincente que dá a sensação de que, se saíssem batendo de porta em porta defendendo o pai, conseguiriam mudar a opinião de muita gente. “Ninguém além de mim e dos meus irmãos viveu aqueles momentos em que ele lia A Light in the Attic pra gente antes de dormir”, diz Paris. “Ninguém conheceu o lado pai dele. E, se conhecesse, a visão que têm dele mudaria completamente, pra sempre.” Com cuidado, comento que ouvir esse tipo de desabafo do pai talvez fosse um peso grande demais para uma criança de nove anos. “Ele nunca mentiu pra gente”, responde Paris. “Você tenta dar aos filhos a melhor infância possível. Mas também precisa prepará-los para o mundo horrível que existe lá fora.”
O julgamento de Michael Jackson por acusações de abuso infantil terminou com sua absolvição em 2005, mas destruiu sua reputação e mudou completamente o rumo da vida da família. Depois disso, Michael decidiu deixar Neverland para sempre. Nos quatro anos seguintes, eles passaram a viver viajando pelo mundo, passando longos períodos no interior da Irlanda, no Bahrein e em Las Vegas. Paris não se importava com aquela vida itinerante. Para ela, tudo parecia uma aventura. E lar era qualquer lugar onde o pai estivesse.
Em 2009, Michael Jackson se preparava para uma série ambiciosa de shows de retorno na O2 Arena, em Londres. “Ele meio que nos deixou empolgados com isso”, lembra Paris. “Ele dizia: ‘Sim, vamos morar em Londres por um ano’. A gente estava super animado, já tinha até uma casa lá em que íamos ficar.” Mas Paris também se recorda do estado de “exaustão” do pai quando os ensaios começaram. “Eu falava pra ele: ‘Vamos tirar um cochilo’”, conta. “Porque ele parecia cansado. A gente estava na escola, quer dizer, lá embaixo, na sala de estar, e via poeira caindo do teto e ouvia barulhos de passos fortes lá de cima, porque ele estava ensaiando.”
Paris mantém até hoje uma forte aversão à AEG Live, promotora da turnê planejada This Is It. A família perdeu o processo por morte injusta contra a empresa, com o júri aceitando o argumento de que a responsabilidade pela morte de Michael era dele próprio.
“A AEG Live não trata bem seus artistas”, afirma. “Eles sugam até o fim e os fazem trabalhar até a exaustão.” (Um porta-voz da empresa recusou comentar.) Ela diz que, recentemente, ao ver Justin Bieber em turnê, ficou “assustada”. “Ele estava cansado, só cumprindo tabela. Olhei meu ingresso, vi AEG Live e lembrei de como meu pai estava sempre exausto, mas não conseguia dormir.”
Mas quem teria querido a morte de Michael Jackson? Paris faz uma pausa longa, como se pensasse em uma resposta mais específica, mas acaba dizendo apenas: “Muita gente.” Paris fala em desejo de vingança ou, pelo menos, de justiça. “Com certeza”, diz, com os olhos brilhando. “Eu quero, sim. Mas isso é um jogo de xadrez. E estou tentando jogar esse jogo da forma certa. E, por enquanto, é tudo o que posso dizer sobre isso.”
Michael fazia com que os filhos usassem máscaras em público, uma medida de proteção que Paris considerava “estúpida” na época, mas que mais tarde passou a compreender melhor. Por isso, ainda mais marcante foi quando uma menina corajosa se levantou espontaneamente para falar no microfone durante o memorial televisionado do pai, em 7 de julho de 2009. “Desde que eu nasci”, disse ela, “o papai foi o melhor pai que alguém poderia imaginar, e eu só queria dizer que eu o amo muito. Ela tinha 11 anos, mas sabia exatamente o que estava fazendo. “Eu sabia que depois disso ia ter muita gente falando merda”, diz Paris. “Muita gente questionando ele e a forma como nos criou. Aquela foi a primeira vez que eu o defendi publicamente e definitivamente não vai ser a última.” Para Prince, naquele momento a irmã mais nova mostrou “mais força do que qualquer um de nós”.
No dia seguinte à visita ao Museu da Morte, Paris, o namorado Michael Snoddy e Tom Hamilton, seu empresário, seguiram para Venice Beach. Caminhamos pelo calçadão, e Snoddy lembra de uma breve fase em que trabalhou como artista de rua ali, tocando bateria em baldes quando chegou a Los Angeles. “Não era ruim”, diz ele. “Eu fazia, em média, uns cem dólares por dia.” Paris está com um rabo de cavalo. Usa óculos escuros de lentes redondas, uma camisa xadrez verde por cima de uma legging e uma mochila estilo rasta com as cores do arco-íris. O humor dela hoje está mais fechado. Ela fala pouco e se agarra ao namorado, Michael Snoddy, que veste uma camiseta do Willie Nelson sem mangas.
Seguimos em direção aos canais, cercados por casas ultramodernas que Paris não gosta. “São muito frias e meio bougie”, diz ela. “Não tem cara de ‘vem jantar aqui’.” Ela fica animada ao ver um grupo de patos. “Oi, amigos!”, grita. “Vem brincar com a gente!” Entre eles, há o que parece ser um casal de aves nadando em sintonia, bem colados um no outro. Paris suspira e aperta a mão do namorado. “Meta de vida”, diz. “#objetivos.”
O humor dela melhora aos poucos, e seguimos de volta em direção à praia para ver o pôr do sol. Paris e Snoddy sentam em uma mureta de concreto de frente para o espetáculo em tons de laranja e rosa. O momento é tranquilo até que uma mulher de meia-idade, com roupa de corrida neon e meias até o joelho, se aproxima. Ela sorri para o casal enquanto aperta um botão em um pequeno aparelho de som preso à cintura, e uma música trance antiga começa a tocar.








10 comentários
😲😲😲😍😍😍👍💕
ReplyEu realmente estou chocada. Nao sabia de muitas coisas ate agora. Paris merece todo o sucesso. 😍😍 e que ela revele muito mas coisas sobre Michael e a família ❤❤❤❤
ReplyO bom de uma pessoa ser muito famosa é que ela dá entrevistas que repercutem pelo mundo todo e a gente fica sabendo mais sobre quem ela é, o que ela sente, pensa e faz e isso é bom, faz a gente se sentir mais próximo da pessoa. Ela podia fazer isso mais vezes porque é muito esclarecedor !
ReplyO engraçado é que nas redes sociais ela nem de longe parece tão madura quanto aparenta ser nas entrevistas. Dá até pra se perguntar se ela não está sendo instruida por assessoria de imprensa pra responder de forma tão centrada ! Seja lá como for, eu sei que ela realmente teve experiências de vida muito sofridas que a fizeram ter que encarar a vida como ela é
Eu gostei e me emocionei muito com as coisas que ela falou sobre o pai, mas me choquei com o que disse sobre ela mesma - ela se comove com animais mortos mas fica fascinada com gente morta !? E que falta de respeito é essa de quem criou esse museu !? Expor assim a intimidade e a dor de celebridades mortas. Será que ela gostaria que fizessem o mesmo com seu pai ?
E que história é essa de ser abusada por alguém aos 14 anos !? Nisso eu não acredito porque ela não deixaria isso barato de jeito nenhum ! Quando a família levou a dona Katherine pra longe, a Paris expos tudo na mídia, protestou, bateu o pé e causou todo aquele rebuliço. Imagina se ela não ia reagir mil vezes pior se tivesse acontecido uma coisa dessas !?
Ultimamente tem uma onda gigantesca de famosas no Brasil e no mundo revelando que foram abusadas, parece até que virou moda e quem nunca foi é que está por fora ! Isso me cheira a puro marketing pra se fazerem de coitadinhas. Que coisa mais deturpada ! É uma coisa muito séria pra ser banalizada assim !
Amiga,
ReplySou psicologa, e posso de afirmar com toda experiencia que tenho, que todos comportamentos da Paris,se encaixam em comportamentos de vitima de abuso wexual, tudo faz mais sentido agora. É extremamente normal que a vitima nao fale. Que tenha vergonha e que ae sinta culpada! Porque ela mentiria sobre isso n faz sentido!!!!
É realmente mto gostoso ouvi la contwr da vida com.o.pai tudo que eles falam nós jq sabiamos mas é sempre bom ouvir maia mais
Algumas fatos que achei interessante
ReplyEla conta q mj perguntou se eles quwriam estudar wm escola normal, sendo q o que sai na midia é q mj os proibiam (claro q msm se fosse isso swria com a imtençao de protegw los totalmente) mas parece q a verdade é q ele cogitou essa ideia pro filhos
Achei lindo qdo ela disse q mj era seu mundo, ela tinha raiva das pessoas pq traziam dor a aeu mundo!!!
Bacana tbm perceber o qto ela confia em mj, confia q eles são seu filhos biologicos, confia que ele n mentiria pra eles, todos esses anos todas essas pessoas questionamdo n tiraram essa certeza dela,
ja o prince, deixa claro que m importa pra ele, independete de qualquer coisa mj continuara sendo seu pai, não que prince duvide, n entendo dessa forma, mas entendi q essa questão n o afeta, tipo msm q mj n fosse seu pai nada mudaria p ele continuaria o amando e tal.
Será que Paris tentou suicídio por causa desse abuso?
ReplyVc poderia dizer que sinais são esses que ela demonstra ?
ReplyA tentativa de suicidio, a auto-motilaçao, a instabilidade emcional, o auto-odio,(que ela msm menciona), tudo isso são alguns dos mtos sinais de uma vitima de abuso sexual!!!! Observo mto isso em pacientes, oh Deus como queria michael aqui, ele merecia acabar de criar seus bebês
ReplyA Paris realmente é uma menina muito forte. Fiquei extremamente mal quando ela falou que já sofreu abuso. Dói lembrar o quanto o Michael era um ótimo pai e super protetor, e isso acontecer. Isso explica uma série de comportamentos dela, no qual todo mundo julgava sem dó, sem nem ao menos saber o real motivo sobre. Sobre a morte do pai dela, também acredito no assassinado. Ela foi muito corajosa, mas vai ter que encarar as consequências disso.
ReplyMas nunca passou pela minha cabeça nem na cabeça dos fãs que Paris sofreu abuso na adolescência e que usava drogas. Isso explica o pq que ela ficou tão rebelde em 2013 e que cortou seu cabelo de uma forma horrível e também que tentou suicídio, muitos achavam que era estilo de punk e fase e ninguém entedia o pq da Paris estar com aquele comportamento. Mas o bom que hj ela está bem e que Deus ajudou ela a ultrapassar os seus problemas, ela bem que podia colocar atrás das grades esse cara que fez covardia com ela, eu não entendo o pq de deixar esse caso passar batido!
Reply